domingo, 26 de fevereiro de 2017

Metodologia de Construção de Boneco de Manipulação Direta: Fantoche

A ALMA DO BONECO ESTÁ NA MÃO DO BONEQUEIRO. O BONECO É IMORTAL: O BONEQUEIRO VAI, O BONECO FICA.” (Mestre bonequeiro Pedro Boca Rica, (1936-1991), segundo  Augusto Bonequeiro).

Por Lúcio José de Azevêdo Lucena

 Lúcio Leonn e seu Fantoche Dagoberto”.  - construído a partir da experiência do ator e artista-educador 


Finalidades:
-criatividade
-manipulação direta
-coordenação motora
-linguagem oral
-raciocínio lógico, etc.

Descrição do Boneco: 
figura humana
 Figura 1
(Mão minha e braço - técnica do mamulengo: mão mole)
Material:
garrafas pets – pitchula - (para construção da cabeça), gargalo recortado (boca) de garrafa pet para os braços, folha de papelão fino, pincel (ponta chata e de contorno), lápis, tinta guache (cores básicas (vermelho\amarelo e azul e neutras (branco\preto e cinza), novelo de lã (cores variadas), agulha de crochê, folhas de papel jornal, cola branca ou de isopor (opcional), folha (pequena) de isopor, tecidos (coloridos e\ou estampados), algodão ou restos de tecidos para enxerto\forro, jornal velho, tesoura etc. 

 
Fotos (série de imagens do boneco (acervo pessoal): apresento o boneco de nome, “Dagoberto”. 

 Procedimentos:
1º  Momento:
Confecção da cabeça do boneco e base para os braços de garrafa de plástico Pet.
·      1ª  Etapa: o papel jornal é rasgado manualmente, em pequenos tamanhos; em seguida, vai-se colado um a um na garrafa pet. Com o cuidado de revestir (1ª  etapa), sucessivamente, todo o espaço deixado por outro papel colado até preencher toda garrafa, (a cabeça).

·   Na primeira etapa, (como opção 1), faz-se uso de isopor em tamanho proporcional para construir o nariz, as sobrancelhas ou as orelhas, a boca (com cola branca e pedaços de isopor). Neste ínterim, a construção da base do rosto do boneco, (como opção 2, pode ser o papel jornal enrolado em tamanho proporcional em forma de canudo ou quadrados, até atingir volume desejado); caso nenhuma opção, também se segue o uso da camada de revestimento de papel jornal sobre o isopor ou papel enrolado, de maneira uniforme (formato do nariz, orelhas etc.), durante a primeira etapa de revestimento. 
 Figura 4
·         2ª  Etapa: é revestida uma segunda ou terceira camada, posteriormente, de mais papel jornal rasgado a mão sobre toda a base da cabeça do boneco, com o mesmo procedimento, anterior.
  


Figura 5

·         3ª  Etapa (primeiro momento): é revestida uma primeira camada de cola branca sobre toda a cabeça do boneco, a formar uma base resistente e lisa.

·         Etapa final, (1º  momento): nos gargalos (boca) da garrafa, que se origina a cabeça revestida em (3ª etapa) e a base de pets cortada para os braços, forram-se a parte externa com jornal velho e cola de isopor; deve-se usar a mesma técnica de revestimento supracitado, a fim de aderir ao tecido (composição da vestimenta do boneco) ao colar as duas partes (tecido e pet). Por fim, é esperar secar depois, as partes revestidas. 
Figura 6
Observação 1
Caso da opção 3, de somente avolumar o nariz do boneco com isopor – então, pode-se fazer uso do pincel e tinta guache durante (2º momento\2ª  etapa, descrito abaixo): acabamento), o contorno\marca de sobrancelhas ou boca, a partir do desenho; de acentuar o rosto (vide imagem acima) do boneco.
                                          
                                                                                     
2º  Momento:
Acabamento e pintura do rosto do boneco: arte final
·   1ª  Etapa: pincelar tinta guache cor base do rosto em todo o formato da cabeça, de acordo com a descrição do boneco adotado e ao devir (após secagem da cabeça do boneco, advindo do 1º momento\3ª  etapa).

·     2ª  Etapa: ir construindo em seguida com um lápis, a delinear os olhos, as sobrancelhas e a boca (pode-se pincelar direto sobre a cabeça do boneco com tinta guache as cores sugeridas da feitura do rosto, sem uso de contorno do lápis.), sempre a respeitar o gênero sexual, idade, como ele (a) é etc. (Após espera de secagem do 2º  momento\1ª  etapa ou, se for o caso da escolha: opção 3, de somente avolumar o nariz do boneco com isopor ou papel em dobra volumoso.); o procedimento de contornar e de dar cor ao rosto do boneco  será o de pincelar direto sobre a cabeça do boneco com tinta guache as cores sugeridas à feitura do rosto, (ver figura 6). 
Figura 9
·       3ª  Etapa: a construção dos cabelos, entre outros acessórios de uso. Segue-se manualmente, ir colando (cola de isopor ou passe cola quente), fio por fio de lã e a formar o cabelo desejado (liso, enrolado, crespo etc.). Depois aparar o tamanho\corte do cabelo, conforme se deseja.

Observação 2
Como opção: a partir do uso de agulha de crochê, pode-se costurar com lã direta na cabeça do boneco (plástico), sem deixar espaço entre os furos; a preencher o todo e a dar dois seguros nós, (cabelo comum: corte de 30 a 40 fios de 40cm.).

3º  Momento:
Indumentária e Enchimento das Mãos do Boneco
(figura 10: 2ª   opção de vestimenta: braços diretos no molde)

·     1ª  Etapa: a indumentária do boneco e as mãos, (caso 1ª opção, não tenha habilidade com corte e máquina de costura, pedir ajuda a família ou costureira para realizar tal etapa. Caso não faça um molde com papelão deixando as extremidades livres para o acesso das mãos e dos dedos diretos na roupa, (figura 10).
·    2ª  Etapa (caso da 1ª opção): A roupa do boneco deverá ser colada nos gargalos (boca) da garrafa, que se origina a cabeça com cola de isopor ou cola quente.
·      3ª  Etapa (1ª opção): na base de pets cortados para os braços (advindo da etapa final, 1º momento) deverá ser colada nos gargalos. E, o tecido das mãos do boneco é alinhavado entre o gargalo e a indumentária, após o enchimento com algodão ou resto de tecidos (figura 9).
·         4ª  Etapa: faça um tubo pequeno de papelão para ajuste dos dedos e passe fita crepe ou cole as extremidades pelo formato dos dedos das mãos, (figura abaixo).

Observação 3:
Da construção do Boneco (Manipulação Direta): Fantoche - construído a partir da experiência do ator e artista-educador Lúcio José de Azevêdo Lucena (Lúcio Leonn), técnica adquirida durante a realização do Projeto de Estágio: Teatro Aplicado à Educação (1992-1994) como aluno egresso do Curso de Arte Dramática (CAD) da Universidade Federal do Ceará (UFC), através de aulas aplicadas de Arte\Teatro na extinta Fundação Estadual do Bem Estar do Menor do Estado do Ceará (FEBEM-CE): Centro Educacional São Miguel (Fortaleza-CE).
garrafas pets – pitchula - (para construção da cabeça), gargalo recortado (boca) de garrafa pet 

Fonte consultada (somente):
Imagem: figura 10. Cortar e Recortar para Encantar: Vamos fazer um fantoche? Disponível em: http://contarerecontarparaencantar.blogspot.com/2007/06/vamos-fazer-um-fantoche.html Acesso: setembro de 2010.
Citação de Pedro Boca Rica. Blog do Augusto Bonequeiro. Disponível em: http://bonekeiro.sites.uol.com.br/homenagem_a_boca_rica.htm  Acesso em setembro de 2010.

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Atividade 1 (Semana 2) minha:
Metodologia de Construção de Boneco de Manipulação Direta (texto, pp. 01-06) procedente do Curso Licenciatura em Teatro do Programa Pró-Licenciatura. Universidade de Brasília (UnB)/UNIR/MEC - Módulo Laboratório de Teatro 4 - Professora Kaise Helena Teixeira Ribeiro (20 de setembro de 2010).



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Memória: Centro de Cultura de Belas Artes no Ceará(CCBA),1941 | SCAP - A Sociedade Cearense de Artes Plásticas(1944)

Por Lúcio José de Azevêdo Lucena (Lúcio Leonn)

"Aos trinta dias do mês de junho, do ano de mil novecentos e quarenta e um, na Sede do Centro Estudantal Cearense, à rua Floriano Peixoto, n° 133, às 19,30 h, com a presença de quase a totalidade dos pintores residentes em Fortaleza, realizou-se a Sessão de Fundação de um Centro de Cultura de Belas Artes no Ceará. (...)." . IN: A Ata da fundação, segundo Estrigas (1983, p.14).

Já em 1944 o CCBA  desapareceria num "velho prédio" da Intendência (próximo à Praça do Ferreira). E, a 27 de agosto de 1944 é oficializada a fundação da SCAP - A Sociedade Cearense de Artes Plásticas do Ceará.
Nota da foto (transcrição):“O velho prédio da Intendência, onde nasceu a SCAP, num desenho de João Maria Siqueira.” Reprodução minha 2017, (Estrigas 1983, "Registro Iconográfico") 

Informamos, que: 
João Maria Siqueira foi pintor, também professor da SCAP, numa das turmas do Curso Livre de Desenho e Pintura (curso início: 1949 - término: 1953). Lá, Nice Firmeza [In memoriam]-(1921-2013),  tornou-se sua primeira aluna inscrita (1950).  No entanto, em maio de 1953 a SCAP funda noutro espaço, a sua Escola de Belas-Artes.

Visite  Nice Firmeza: http://minimuseufirmeza.org/nice-firmeza

“Praça do Ferreira (atual), vendo-se à direita o belo prédio da Rotisserie (hoje Caixa Econômica), onde também esteve o CCBA (vide depoimento de Barboza Leite) e à esquerda, fazendo diagonal com o primeiro, temos o velho prédio da Intendência (ver depoimento de Barrica), onde esteve a última sede do CCBA e a primeira da SCAP.”. (Nota da foto 2 (acima) -reprodução de livro - Estrigas, 1983; "Registro Iconográfico")

Sinalizamos, então, às palavras do depoimento, o registro seguinte:  
 “(...).  Mantínhamos, na ocasião um atelier no 3º andar do Rotisserie. Havia uma divisão de salas separadas por tabiques que um grupo de estudantes transformara em ‘república’. Era um andar bem agitado pelos rapazes permutando-se coisas e problemas, num arrastar de tamancos pelo assoalho, naquela romaria clássica a um só banheiro no fim do corredor. Um modelo posava para [Antonio] Bandeira e [Mário Carneiro] Baratta. Este, como sempre, ruminando ideias que motivassem o interesse do povo pela pintura. Conversa vai e vem, ele propunha que os artistas fizessem alguma coisa que provocasse impacto, coisas assim como expor os quadros de cabeça para baixo numa sacada do edifício; atravessar a praça do Ferreira com um comboio de jegues carregando cavaletes em vez de cangalhas, e telas em branco, e latas de tinta com as cores derramando-se por cima dos animais, etc. Enfim, um acontecimento insólito que acordasse a consciência de todos para o nosso trabalho, um happening,  como se diz hoje. Vai nisso, entre um traço, uma reflexão  e um descanso para o modelo. Baratta concluía a exposição do seu plano mais ou menos assim: ... ‘dessa forma nós vamos tomar a cidade de assalto’. Aquele negócio de ‘a mata tem olhos e as paredes têm ouvidos’ funcionou direitinho. O cara que fez a denúncia, evidentemente, era um mau caráter. Ouviu o galo, mas não sabia onde. Bandeira, Baratta e o modelo sofreram o constrangimento de algumas horas de detenção e advertência de que não se brinca com palavras. O atelier foi lacrado pela policia, o denunciante deve ter metido o rabo onde convinha, enquanto ação dos artistas era, mais uma vez, interrompida até a evidência de outras teimosias que se seguem.”. Segundo o Pintor Barboza Leite, em subtópico “O Assalto que não Houve”. (Segundo Estrigas 1983 p.91-92; (2a Parte: Artistas Plásticos, (depoimentos)).). Transcrição minha, (grifos nossos; quanto à grafia nome do pintor original do livro). 

Revelamos o (inusitado) depoimento do Pintor Barrica, conjuntamente. Vejamos!  
“Sabemos o que foi o abrigo central em Fortaleza, construído na gestão de Acrísio Moreira da Rocha, ali encostado na velha e legendária rua Pará. Pois bem, foi nesse pitoresco recanto, na prolongação da rua Guilherme Rocha, Praça do Ferreira, esquina com a rua Major Facundo, ponto central de Fortaleza – o Café Emídio e suas vizinhanças: Crisântemo, Café Iracema. A Paraense, Casa Mundlos e o célebre prédio, o último deste quarteirão, esquina  com a rua Floriano Peixoto, a que me refiro neste trabalho – a Intendência. Velho edifício, acima da cúpula o velho relógio que marcava a hora certa daquela gente romântica. Uma fachada com relevos registrava a marca da velha arquitetura, porta larga de carvalho com dobradiças enormes, escadaria e corrimão de jacarandá polido, onde centenas de pessoas subiam diariamente a negócios de interesse público. dos salões mobiliados, com janelas aos quatro lados, se descortina o panorama lindo da Praça do Ferreira  jardinada de verdura e flores, ao lado norte a intensidade de telhados daqueles prédios mais baixos vendo-se o panorama de nossa bela cidade.

Os últimos acontecimentos deste prédio foi a instalação completa do CCBA com móveis, biblioteca, mesas, cadeiras e alguns utensílios de pintura e desenho. Dirigido por alguns pintores comandados por alguns poetas e jornalistas que finalmente não foi avante. Ameaçado pela demolição e o pouco interesse dos associados, o CCBA caiu e finalmente não havia mais nenhuma condição de existir; infelizmente todos os pertences eram da prefeitura; o prédio tornou-se desabitado. Ao lado da porta a cadeira de engraxate do Joca, o mudo, aquele mudo muito típico bodejando para a sua clientela, conversando com os dedos, fazendo gestos e contando histórias. O trânsito era interrompido na calçada; ninguém penetrava para subir as escadas porque as portas eram cerradas e tinha um vigia que morava em cima. Este vigia era corcunda baixo e gordo, responsável por todos os móveis existentes no prédio. Certamente estes móveis seriam divididos para outras repartições do Estado. Acontece que, certa manhã, surpreendido por dois ladrões, um deles disfarçados em presidente do CCBA, atacaram o vigia e fizeram descer tudo que existia no prédio, móveis, cortinas, mesas, estantes, utensílios de desenho, máquina de escrever, relógio de parede, biblioteca, enfim vasculharam tudo, deixando apenas o vigia sozinho sem compreender e pálido de espanto. Lá  em baixo três carroceiros com três carroças puxadas a burro transportaram a bagagem toda para um ignorado local esquina da Praça José de Alencar, altos do Bar Americano. Neste local o CCBA se transformou em SCAP e os dois ladrões até hoje não foram procurados. (...).”. Estrigas, (Artistas Plásticos, p.73-74). Transcrição minha, 2017.

Por fim, “A sede da SCAP, então, era nos altos do prédio de esquina das ruas Guilherme Rocha e General Sampaio. (...).". (Segundo depõe o Pintor Afonso Bruno (1974); segundo, ainda, registra Estrigas, p.81).

Nota da Imagem: 
"Sede, nos altos (foto atual), da SCAP, para onde Barrica e Barboza Leite levaram o acervo da sociedade quando da demolição do prédio da Intendência" [que era nas proximidades de Praça do Ferreira].   

Fonte consultada: Estrigas (Nilo de Brito Firmeza). "A Fase Renovadora na Arte Cearense". Fortaleza, Edições Universidade Federal do Ceará, 1983 (136p.).                                                                                                                                                                                                                                                                                                         ***                                                                                                          Fotorreprodução minha, (2017)

















Foto 3 - Crédito (Arquivo Nirez): publicada em 9 de dezembro de 2016, por J Pinheiro Júnior‎ (Fortaleza Antiga) - Sob o enfoque:"Praça do Ferreira, vendo-se o belo Palacete Ceará em 1925" -Facebook (grupo Fortaleza Antiga. Acesso como membro, em: jan.:2017): montagem aqui, nosso contexto. 
  











  


(Foto3 -tamanho original) J Pinheiro Júnior‎ -Facebook (grupo Fortaleza Antiga). Arquivo Nirez

Vide vários registros Imagem do prédio em:
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(Visite  Nice Firmeza: http://minimuseufirmeza.org/nice-firmeza)


                                      Biografias Breves
(Copyright\fotoMINIMUSEU FIRMEZA)
Barbosa Leite
Francisco Barbosa Leite (Uruoca/CE, 1920 – Duque de Caxias/RJ, 1996)
Gravador, pintor, professor e ensaísta. Participou dos Salões Cearenses de Pintura, organizados pelo Centro Cultural de Belas Artes (CCBA), sendo premiado diversas vezes. Estudou gravura com Henrique Oswald e Oswaldo Goeldi. Foi um dos fundadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), em Fortaleza (CE). Em 1949, publicou “Esquema da Pintura no Ceará”. Em 1952, foi residir em Duque de Caxias (RJ), onde se tornou professor na Escola Normal Santo Antônio e coordenador da Escolinha de Arte da Fundação Álvaro Alberto. Em 1952, ajudou a organizar a mais importante exposição de artes plásticas até então realizada na cidade, que contou com a participação de trabalhos de artistas como Antônio Bandeira, Goeldi, Bruno Giordi, Inimá, Ana Letícia e Iberê Camargo. No ano de 1967 colaborou com Laís Costa Velho na criação do Teatro Municipal Armando Melo, o primeiro teatro da cidade de Duque de Caxias (RJ). Fonte: http://minimuseufirmeza.org/artista/francisco-barbosa-leite (acesso janeiro de 2017).


(Copyright\fotoMINIMUSEU FIRMEZA)
Barrica
Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe
(Juazeiro do Norte/CE, 1908 - Fortaleza/CE, 1993)
Desenhista, pintor e ceramista, iniciou-se nas artes plásticas em 1923, recebendo posteriormente aulas de pintura de Gérson Faria. Expôs individualmente mais de uma centena de vezes, destacando-se as mostras realizadas no Instituto Brasil-EUA (CE), em 1948; no Museu de Arte da UFC – MAUC (CE), em 1963 e 1982; na Galeria Copacabana Arte (RJ), em 1958, 1959 e 1960; na Galeria Coleccio (SP), em 1971; na Galeria Renot (SP), em 1981; e no Estado de Michigan (EUA), em 1984. Em 1941, Barrica esteve entre os fundadores do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA) e, em 1944, entre os fundadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP). Participou ainda do Salão de Abril, em Fortaleza (CE), nos anos de 1946, 1947, 1948, 1950, 1951, 1953 e 1958, fazendo jus à Menção Honrosa que recebeu nos anos de 1951 e 1953. Fonte: http://minimuseufirmeza.org/artista/barrica (acesso: janeiro de 2017).

(Copyright\fotoMINIMUSEU FIRMEZA)
Mário Baratta
Mário Carneiro Baratta (Rio de Janeiro/RJ, 1915 - 1983)
Nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e transferiu-se para Fortaleza (CE), em 1932, onde estabeleceu amizade com a classe artística e com a intelectualidade local. Participou da fundação do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA), em 1941, a primeira instituição dedicada às artes plásticas do Estado do Ceará, na qual foi o maior agente catalisador e ideólogo, sendo também o primeiro diretor da instituição. Participou também da fundação da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), em 1944, na qual chegou a presidir. Participou do I, II e III Salões Cearenses de Pintura, realizados pelo CCBA, em 1941, 1942 e 1944. Também participou da Exposição “Pinturas de Guerra”, primeiro evento criado pela SCAP. Participou ainda dos I, II, X, XIV, XX, XXIII, XXV e XXVIII Salões de Abril realizados em Fortaleza (CE), entre os anos de 1943 e 1978. Fonte: http://minimuseufirmeza.org/artista/mario-baratta   (acesso: janeiro de 2017).

(Copyright\fotoMINIMUSEU FIRMEZA)
 Estrigas
Nilo de Brito Firmeza (Fortaleza/CE, 1919 – 2014)

Artista plástico, crítico de arte e historiador. Iniciou-se nas artes plásticas como aluno do Curso Livre de Desenho e Pintura, em 1950, na Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), da qual foi presidente em 1953. Participou do VIII Salão de Abril, em 1952, e do I e II Salão dos Novos, em 1952 e 1953, sendo premiado neste último ano. Em 1954, concorre ao X Salão de Abril, no qual lhe foi conferida a Medalha de Prata. Participa, desde então, de quase todos os Salões de Abril até 1975, quando expõe em Sala Especial; e ainda do III Salão dos Independentes (CE), em 1954; Arte Concreta (CE), em 1957; Arte de Vanguarda (Fortaleza-CE, 1960); Mostra Inaugural do Museu de Arte da UFC (CE), em 1961; A Paisagem Cearense (CE), em 1963; I Salão de Artes Plásticas do Ceará (CE), em 1967; e outros mais. Expõe, ainda, no I Salão dos Jornalistas (RJ), em 1960; no XXIV e XXV Salões Paulistas de Belas Artes (SP), 1959/1961 – fazendo jus à Medalha de Bronze, em 1959; e no Panorama da Arte Atual Brasileira (SP), em 1976. Escreve sobre arte em jornais, revistas e catálogos. Teve participação em inúmeros juris de seleção e premiação de salões de arte em Fortaleza (CE). É autor de vários livros sobre arte e ilustrou vários outros de autores cearenses. Fundou e manteve, com a pintora Nice Firmeza, o MiniMuseu Firmeza, um espaço cultural, artístico e ecológico e centro de pesquisa de arte do Ceará, na casa e no sítio onde residiam. Doou vinte e duas obras de Aldemir Martins, dentre gravuras e desenhos, ao Museu de Arte da UFC (MAUC). É verbete, dentre outros, no “Dicionário das Artes Plásticas no Brasil”, de Roberto Pontual, e no “Dicionário Crítico de Pintura no Brasil”, de José Roberto Teixeira Leite. Fez sua última exposição no SESC Fortaleza, em 2014, aos 95 anos. Fonte: http://minimuseufirmeza.org/artista/estrigas (acesso: janeiro de 2017).


Antonio Bandeira (Fortaleza CE 1922 - Paris, França 1967), em: http://institutoantoniobandeira.com.br

Afonso Lopes Gonçalves (Fortaleza/CE, 1918 – 2000) em: http://minimuseufirmeza.org/artista/afonso-lopes



João Maria Siqueira (Pacatuba/CE, 1917 - Fortaleza/CE, 1997) em: http://minimuseufirmeza.org/artista/joao-maria-siqueira

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sábado, 26 de novembro de 2016

QUE O FOTÓGRAFO RISQUE, PINTE, QUE SUJE E BORRE A SUA FOTO; CONTANDO QUE NINGUÉM FAÇA NADA IGUAL

(Transcrição elaborada por Lúcio Leonn, 2016)

De 1890 a 1914, um movimento de fotógrafos europeus dominou a história da fotografia. Eram todos amadores, e foram os primeiros a afirmar que a fotografia é uma arte. 

(Artigo de Antônio Carlos Rodrigues (publicado, igualmente, na “Revista de Fotografia”, junho de 1971).)

Uma exposição da Sociedade Francesa de Fotografia de Paris,chamou a atenção recentemente para um movimento fotográfico do início do século, que estava quase esquecido o Pictorialismo. A fase de ouro do movimento durou 25 anos, 1890 a 1914. A exposição realizada em Paris foi dedicada às obras de dois maiores nomes do Pictorialismo, os franceses Robert Demachy e C. Puyo.
No fim do século passado, o entusiasmo pela descoberta da fotografia já tinha passado, e seu desenvolvimento como arte estava praticamente paralisado. A fotografia já tinha sido incorporada a vida de quase todo o mundo, era considerada um “trabalho” como outro qualquer. Enquanto as artes plásticas passavam por verdadeira revolução– lançando os nomes hoje célebres de Matisse, Picasso, Braque, Mondrian, Modigliani – a fotografia não passava de “uma técnica cientifica de reprodução da realidade, sem o menor  valor estético.
Contra isso surgiu o movimento pictorialista. Em 1891, no Clube da Câmera de Viena, Áustria, seus organizadores criaram o primeiro “caso”. Selecionaram para uma exposição de fotografias apenas as obras “com valor artístico”, sem ligar às suas características técnicas. Essa atitude chamou a atenção para um grupo de fotógrafos que se apresentavam como “artista”, e que se recusavam o princípio de que a fotografia não era uma arte. Tentavam assim estabelecer uma diferença entre êles e os fotógrafos profissionais, que “tinham transformado a fotografia em pura mercadoria”.
Na verdade, o pictorialismo foi uma reação de amadores ricos contra aquêles que começavam a fazer da fotografia um meio de ganhar a vida. Isso explica em parte porque o movimento caiu no esquecimento e foi logo considerado como representante de uma tendência negativa e retrógrada.  Mas o pictorialismo teve um mérito: seus organizadores foram os primeiros na história que tentaram elevar a fotografia ao nível de arte.
Sua lei fundamental pode ser esta: a fotografia é uma arte, e segue as tendências dominantes na pintura, na literatura, na música. Tècnicamente, o movimento tendia a negar as características próprias da fotografia. Para Robert Demachy, um dos fundadores:
“A obra de arte não está no motivo, mas na maneira de mostrá-lo”. “Que o amador se sirva do óleo, da goma ou da platina; que êle passe uma camada de pintura em seu clichê; ou que o risque com uma ponta de ferro; isso não me faz a menor diferença, desde que êle me mostre uma imagem que seu vizinho não possa fazer igual. Não digo isso em relação à composição ou à disposição de seu motivo, mas na maneira de traduzi-lo em sua linguagem própria”.
No início do século, o pictorialismo já era um movimento coerente e firme. Mas o academismo acabou por matá-lo, na época em que começava a primeira guerra mundial. Não havia mais seguidores do movimento.
A recente exposição de Paris mostrou que, apesar de ter sido um movimento estéril para o desenvolvimento da fotografia, o pictorialismo tem muito que ver com a arte.

Fonte consultada:
AUGUSTO RODRIGUES (editor); Que o fotógrafo risque, pinte, que suje e borre a sua foto; contando que ninguém faça nada igual. Artigo de Antônio Carlos Rodrigues (publicado na “Revista de Fotografia”, junho de 1971) – Jornal ARTE & EDUCAÇÃO, Rio de Janeiro: Escolinha de Arte do Brasil, ano I, n. 6, p.16 jun. 1971. Acervo pessoal (periódico) Lúcio José de Azevêdo Lucena – Lúcio Leonn.
 .
[“Faço questão de manter o vocabulário e a gramática característica da escrita original no Jornal Escolinha de Arte do Brasil, ano I, n. 6, p.16 jun. 1971". ], Lúcio Leonn.

Contextualização [Lúcio José de AzevêdoLucena(Org.)-Lúcio Leonn]
(...)

Sobre uma atriz de Hollywood: OLIVIA DE HAVILLAND -(Jornal O Grilo –Escolinha de Arte da Biblioteca Castro Alves-RJ)

 Por Newton Godman, 1950.
LEONN, LÚCIO. Foto de Olivia de Havilland, (Newton Godman: Cinema - Sobre uma atriz de Hollywood) – Periódico: Jornal O Grilo, Rio de Janeiro: Escolinha de Arte da Biblioteca Castro Alves, ano I, n.3, p.6, abr./mai. 1950. 1 fot., p&b, reprodução/coloração minha.

(Cinema) - Sobre uma atriz de Hollywood

Por Newton Godman
(Transcrição elaborada por Lúcio Leonn, 2016)


Hollywood acha-se em franca decadência. Os filmes franceses, ingleses, italianos, estão batendo longe todos os filmes provenientes da Meca do cinema.

Os atores e atrizes já estão velhos e passados... As comédias são bobas e convencionais... Os dramas exagerados e repetidos, mas no meio de tanta mediocridade surge uma artista que é realmente uma artista. Não é Bette Davis, Paullete Godard, Joan Crawford ou Rosalind Russel.
É OLIVIA DE HAVILLAND.

Olivia de Havilland é uma atriz razoável até 1940. Irmã de Joan Fontaine que naquela época triunfara no cinema. Olivia aliada à sua simpatia filmou a PORTA DE OURO. A Academia de Ciências e Artes Cinematográficas escalou-a para um Oscar, que foi parar às mãos de Joan Fontaine por sua interpretação em SÓ RESTA UMA LÁGRIMA.

Só em 1949 Olivia de Havilland veio a conseguir o ambicioso Oscar por sua interpretação em SÓ RESTA UMA LÁGRIMA.

Imediatamente, os produtores de Hollywood perceberam quêm era aquela moça tímida e até que ponto podia chegar.

Olivia satisfeita com seu Oscar, pediu ao produtor Anatole Litvak que se filmasse a COVA DAS SERPENTES, a chamasse para fazer o papel de Virgínia.

Mas Darryl F. Zanuck achou que Olivia não era a pessoa indicada para o papel. Chamaram Ann Baxter outra surpreendente atriz, que se recusou. Olivia insistiu no seu pedido e o primeiro test dissipou tôdas as dúvidas de Darryl.

A Universal resolveu então filmar um caso de psiquiatria. Convidaram Olivia para o papel das gêmeas Terry e Ruth. Olivia mostrou então uma série de expressões que dificilmente poderiam ser repetidas.
Tudo indica que um Oscar iria tombar novamente em suas mãos. No entanto Lorreta Young conseguiu o prêmio deixando sua amiga Rosalind Russel desesperada.

A filmagem de A COVA DAS SERPENTES foi adiada mais um dia Miss de Havilland começou a filmar, filmar, filmar (pois ela aparece em quase tôdas as cenas). Aí então surgiu um escritor chamado Marcus Godrich e Olivia que até aquela data se havia mantido solteira, casou-se.

O Oscar da Academia foi entregue a Jane Wymar por sua interpretação em BELINDA. Tôdos viram a grosseria da decisão, pois Olivia dera ao filme uma interpretação inigualável.

Então a Paramount retornou sua artista para fazer com ela o filme TARDE DEMAIS, e, finalmente, em 1950, Livie recebeu o seu 2º Oscar.

Nêste seu último filme ela interpreta o papel de uma moça feia que tem segundo seu pai, um mérito que apaga todos os outros: trinta mil dólares.

Um simpático rapaz resolveu aproveitar-se da inexperiente rapariga e faz-lhe juras de amor. Mas o pai deu o “contra” e o rapaz sumiu.

Por essa interpretação ela não só conseguiu o Oscar como também um prêmio da Associação dos Críticos Cinematográficos pela segunda vez, a COVA DAS SERPENTES valera-lhe já esse prêmio, ambicionado por tôdas as artistas, e outro no festival de Cannes por sua magnífica “performance”.

Olivia é sem dúvida uma mulher feliz. Tem um filho muitos prêmios e um marido que tanto demorou a achar.

Que mais poderia ela esperar? 

Fonte consultada: 
RODRIGUES, AUGUSTO. Newton Godman: Cinema - Sobre uma atriz de Hollywood – Jornal O Grilo, Rio de Janeiro: Escolinha de Arte da Biblioteca Castro Alves, ano I, n.3, p.6, abr./mai. 1950. Acervo pessoal (periódico) Lúcio José de Azevêdo Lucena - Lúcio Leonn.

[“Faço questão de manter o vocabulário e a gramática característica da escrita original no Jornal O Grilo | Década de publicação (1950)”], Lúcio Leonn. 

Contextualização minha:
1. Segundo Newton Godman,– (ainda, linhas abaixo de seu texto: sobre uma atriz de Hollywood) – escreveu em sua coluna (Pingos), os seguintes registros (1950, p.6): 
– “Olivia de Havilland notável artista, deu-nos uma bela interpretação em “Tarde Demais’.;
–As telas da cidade andam muito pobres, mas com a reprise do ‘E o vento levou’ os fans de Vivien Leigh terão oportunidade de revê-la nos bons tempos de M.G.M.;
–No dia 1 de maio tivemos a auspiciosa estréia do filme ‘Tarde Demais’, de William Wyles com Olivia de Havilland;
(...) ".

3. A porta de ouro (“Hold Back the Dawn”, 1941); Só resta uma lágrima (“To Each His Own”, 1946) e Tarde demais (“The Heiress”, 1949); A cova da serpente (“The Snake Pit”, 1948); ...E o Vento Levou (“Gone with the Wind”, 1939);

4. Nome completo: Newton Augusto Godman. Godman em seu texto de 1950 nos perguntava: que mais poderia ela (Olivia de Havilland) esperar? Respondemos aqui. – Ter completado 100 anos (de idade) em 2016.

5. Destaco especialmente (às crianças), na época, aos escritos no Jornal O Grilo –– Jornal da Escolinha de Arte da Biblioteca Castro Alves: Iréne Landau e Newton Augusto Goldman.
Igualmente,  "Na reunião em que se consideram fundada a Biblioteca [de Arte, (1950)] fez-se a eleição por voto secreto para os cargos de bibliotecários. Foram eleitos Iréne Landau e Newton Augusto Goldman" (In: Biblioteca de Arte – Jornal O Grilo, Rio de Janeiro: Escolinha de Arte da Biblioteca Castro Alves, ano I, n.3, p.5, abr./mai. 1950, (segundo AUGUSTO RODRIGUES (1950): segundo LUCENA, 2016.).