Parceria: Henri Cartier-Bresson.

Blog em Parceria: Henri Cartier-Bresson Visite!

To me, photography is the simultaneous recognition, in a fraction of a second, of the significance of an event.”-Henri Cartier-Bresson

“Qual o mais importante atributo de um ator de sucesso? 1.Talento. 2.Sorte. 3.Resistência”. Segundo Laurence Olivier (1989, p.202 ): Confissões de um Ator – segundo Leonn, (2011).


“O ator emotiva o público! Um ator sem alma, com ofício... É como o Teatro sem o público”, (Lúcio Leonn, 1989).

note-me por email

Páginas

notadores

domingo, 20 de julho de 2008

RELAÇÃO ENTRE A DANÇA E O TEATRO. OU QUE SE TÊM - (TENHO) A DIZER SOBRE O TORTUOSO OU DOCE RELAÇÃO - TEATRO E DANÇA. (DANÇA-TEATRO. TEATRO-DANÇA.)

“O teatro no Ceará caminha em busca de uma redescoberta, preocupando-se com um maior aprofundamento da estética cênica da linguagem corporal e da interpretação voltada ao ator”. Lúcio Leonn. (Entrevista ao Jornal Tribuna do Ceará, 1994).

O Teatro e a Dança cada vez mais se aproximam de um querer dizer – ou, da marca registrada da arte contemporânea, – tornar-se o “indizível”. “O corpo é o instrumento para que a vida se manifeste”, (ANDRÉS, 2000).

A dança e o teatro, ou vice-versa, vem se afirmando aos nossos sentidos, via possibilidades circunstanciais e, do campo relacional do humano.

Imagem ao lado/reprodução - fragmento do espetáculo: Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade - Lúcio Leonn/Geíza-Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceará –UFC (1992).

Ao mesmo tempo, falar dum corpo em ação, em jogo, este revelador e provocador de significados, mesmo por meio de movimentos não fluentes (estáticos), em espaço cênico; ou pela linha conceitual do espetáculo, pela dramaturgia; é ainda hoje um paradoxo de conceitos imprevisíveis.

Pela dança e pelo teatro, há ainda, ações perenes a serem desmistificadas por muitos estudiosos das duas áreas. “A Arte, em qualquer de suas modalidades estéticas nasce da liberdade. Somente mais tarde ela é entregue ao raciocínio, para ser depurada e corrigida”, (ANDRÉS, p.179).“A arte é filha da liberdade” (segundo SALLES, 2004 apud SHILLER, 1989).

Na gramática do movimento e da fala (atuação) ou ao inverso disso, mesmo sem pontuação da música, corpos dançam - mais uma vez, repito: a Arte quer falar do humano. E o que temos a oferecer de tão humano, pela dança e pelo teatro? É uma resposta que não se cala. “A dança reúne em si tempo, espaço e energia. Liga-se a música, que é a arte do tempo. (...) Por outro lado, o corpo é o instrumento que irradia os impulsos da alma: o semblante, o olhar, a mímica, o gesto, as mãos, os pés, a entonação”, (ANDRÉS, 84 e 91).

Atualmente, tem-se a se perguntar muito por um instante, mesmo diante da cena e até torna-se em nós “sujeitos iluminados” quando sentados na platéia assuntamos: até que ponto uma linguagem se sobrepõe a outra? Ou, quando ela se complementa entre si, como unidade única, na concepção de mais um trabalho, ou na dramaticidade contada por um Tema, em uma peça, espetáculo de dança? Outrora, por meio de ações físicas tão presentes nos corpos dos bailarinos/atores/atrizes/personagens; sempre há de devir um encontro do possível, entre: platéia e espetáculo.

“A função da dança é revelar o Ser interno”, já dizia Martha Graham a seus alunos.

Entretanto, com o objetivo de apurar e concentrar idéias aqui, acerca da relação entre a Dança e o Teatro, entrevistei um jovem e promissor ator estudioso de teatro, (também com formação e experiência corporal engajada pelo balé). Ele norteou quatro caminhos possíveis desta conexão, a saber: - O Corpo. A Intenção. O Impulso. O Élan.

E, ressaltou, ainda: “é através destes [quatro elementos, acima] que se vir à corporeidade do ator/bailarino. Há uma repetida provocação entre essas duas artes; uma precisa da outra para se completar. Quando se atua, se faz partituras corporais, marcações; que eu posso afirmar, que é uma seqüência. Sendo assim, um ciclo de movimentos, dançados. E quando se dança?” Indaga-se e ao mesmo tempo, ele responde;

”Quando se dança, exige-se do bailarino um ‘jogo’ com a platéia; um interesse em transparecer sentimentos. Isso, só é conquistado, quando se estuda a relação do ator com a platéia [no momento, acontecimento real da cena], por meio de intenções com o corpo, com o rosto etc”. Diz, Saymon Morais(aluno artes cênicas (2º semestre), do centro federal de educação tecnológica do ceará -Cefet-Ce, 2008). Grifos nossos.

(Imagem acima aluno-ator, Saymon Morais), em: esquete "Serial Killer" -exercício final do módulo/ disciplina, “Laboratório de Teatro” (1ª semestre): Cefet-Ce,de 2007.

A dança e o teatro, na minha opinião, busca oferecer um ser que pensa em cena, de acionar todo seu corpo-persona, para contar e desvelar histórias. Estas narradas, dançadas, apreciadas e vivificadas pelo Corpo na condição social. Um paradoxo da catarse.

Em cada modalidade artística penso, há um encontro diante da sua historicidade, do saber-fazer (processo) e do pensar (conhecer) via elementos constitutivos, próprios e de cada linguagem.
A dança e o teatro possuem instruções distintas, logo, precisamos saber mobilizar e organizar nosso espaço-tempo, de atuação/performance. Cada arte é delimitada de pertencimento e do retorno à origem. “Cada dança tem sua própria identidade e, portanto, sua própria estrutura”, (SALLES, em citação, no dizer de Murray Louis, (1992) p. 135).

Mas, que discurso nosso corpo quer falar? Logo, na dança ou no teatro; também há falas, uma ação corporal e de raízes de seus intérpretes ou de trabalhos que querem nos remeter, se personificar entre nós, (Vianna, Kusnet, Burnier, Graham, Cunningham, Bausch, Bogart e Landau, para citar alguns).

Inúmeros trabalhos meus ao longo de minha carreira no teatro, especificamente, coloca-me em cena sob este campo tão dual e dialético: o teatro/dança. O discurso vem não só conduzindo-me caminhos para dançar, como para o processo de criação como artista e professor de Arte. Estamos sempre a querer superar nossos próprios limites em cada obra encenada ou pelo discurso proferido. É uma relação doce e tortuosa.

De uma maneira “oculta”, meu corpo no teatro tem dançado. Mas é preciso revelar e afirmar que: ele teve um preparo antes, muito antes, em aulas do velho clássico, ballet. Ou, em diversas imersões minhas, (com o uso do corpo em ação) ou em conexões a serem evidenciadas abaixo.

Para auxiliar e desenvolver meu trabalho e “corpo-de-ator” em espetáculos, sempre tive “pés na dança”. Minha atuação transfigura em tais convergências: no fazer do corpo/atuação/cena e, no pensar/fazer personagem e seu corpo-dançante.

Imagem: espetáculo/opereta "A Viúva Alegre", de Franz Lehár, direção de Haroldo Serra. Regência Márcio Spartaco Landi. ENCENAÇÃO grupo Comédia Cearense e Orquestra de Câmara ELIAZAR DE CARVALHO. Set-2007(Luís Carlos Prata e Lúcio Leonn, à direita)-Theatro José de Alencar

Além de balé clássico acadêmico; enveredei-me na oficina de “Expressão Corporal” (1991) com o coreógrafo Zednek Hampl, do grupo Sopro de Zéfiro de Recife. “Dança de Hoje” (idem), ministrada pela bailarina holandesa Olga de Graaf; “Dança para o Ator” (idem), ministrada pelo coreógrafo Gilano Andrade, que resultou no espetáculo de dança, “Ballet Alice” (1991). Ainda em 1991, via Escola de Cultura, Comunicação, Artes e Ofícios-ECCOA. Curso “Arte do Movimento - Rudof Von Laban” (1994), por Augusto Pereira da Rocha, professor do Teatro Escola Macunaíma/SP; Oficina de “Expressão Corporal” (idem), ministrada pela coreógrafa Deborah Colker, no Projeto Encenação/ECCOA. (Todos os projetos mencionados acima foram realizados na cidade de Fortaleza-Ce, durante o programa inaugural do Theatro José de Alencar.).

Continuando, quando atuo “penso” no corpo do personagem e, em sua dança. Ou, na relação de contato; na concepção do encenador e obra dramática. Procuro fisicalizar de forma in/voluntária via exercícios; entender os imprevisíveis da cena, em favor de novas e velhas interseções.

“O trabalho do ator ‘sobre si mesmo’ implica num certo tipo de conhecimento, que não é só a construção de um modelo teórico sobre as relações corpo e mente, mas envolve a complexidade da ação humana e a imprevisibilidade das relações espaços-temporais momentâneas”, (Sandra Meyer, p. 12 - artigo apresentado aos alunos do curso de extensão Dança e Pensamento, módulo dança-teatro, 2008).

Recentemente, pela primeira vez, creio de forma inédita, na cidade de Fortaleza-Ce, (via módulo/curso dança e pensamento, por meio dos conhecimentos e estudos de MEYER) fomos apresentados a experienciar um ‘novo’ tempo/espaço (físicos e vocais), do/no Corpo: os Viewspoints / Pontos de Vistas, (desmistificados por Anne Bogart e Tina Landau).

Tal Tempo/Espaço (o corpo na relação, a resposta sinestésica, a “forma”; o corpo em andamento; na duração de movimento e na repetição etc); remeteu-me ao trabalho e estudos de Laban, (para referenciar um nome da dança; de meus contatos dançantes, antes dos Viewspoints); também ao famoso método de ações físicas-(kostantin Stanislavisky), junto com meu trabalho de ator, difundidos por Celso Nunes (1999);minha professora russa Maria Karadja (1997) e, sua biovoz em partituras físicas (ambos no curso colégio de direção teatral/instituto dragão do mar).

Foto (Lúcio Leonn/Reprodução).>.Breve ensaio coreográfico(julho 2008-Teatro Arena Aldeota)

Um pouco mais além, revisita meus estudos práticos com o método de treino e de criação do grupo peruano Yuyachkani, pela Oficina Internacional de Teatro, (1998)-Escola Internacional de Teatro pela Escola de Teatro da América Latina e Caribe-EITALC.

Da prática e da teoria dos Viewspoints, meu ponto de vista salienta e inaugura uma nova postura pessoal, para todo o campo da criação artística (atuação, direção, cena/dramaturgia/escrita, design etc). É de uso e treino pessoal/coletivo. Não é bula. E, como visto, merece mais estudo aprofundado e prático,para não cair em deturpação ou virtuosismos de alguns, no Brasil. Salva exceção, a professora doutora Sandra Meyer, da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC e seu grupo de estudos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• ANDRÉS, Maria Helena. Os Caminhos da Arte. 2ª ed. rev. e aum. Belo Horizonte: C/Arte, 2000.

• LUCENA, Lúcio José de Azevêdo. (Lúcio Leonn) - Os Processos de Formação Teatral em Fortaleza na década de 1990: Memórias de um ator. Fortaleza: UECE / CEFET-CE. 2002; (Monografia de Especialização em Arte e Educação, 177p).

• SALLES, Cecília Almeida. Gesto Inacabado: processo de criação artística. 3ª edição. São Paulo: FAPESP: Annablume, 2004.

Entrevista

• Depoimento afetivo de Saymon Morais. Aluno-ator do curso de Artes Cênicas (2º semestre), do Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará -Cefet-Ce. Fortaleza-Ce: 2008.

Periódicos

• Arquivo pessoal e experiência do ator e Arte-educador Lúcio Leonn.

Artigos consultados

• Jornal Tribuna do Ceará (extinto). Ex-repórter estudantil da Tribuna na Escola é hoje ator reconhecido. TC e escolas incentivam lado artístico do aluno. Fortaleza-Ce, 20 de janeiro de 1994.

• Escola de Dança da Vila das Artes/Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), parceria Universidade Federal do Ceará (UFC). Curso de Extensão Dança e Pensamento. As ações físicas e o problema corpo-mente. Artigo escrito e, módulo ministrado pela professora de dança, Sandra Meyer. Módulo Dança e Teatro, de 12 a 17 de maio. Fortaleza-Ce: 2008.

Este [Lúcio Leonn] é um misto de ator-bailarino... Por sinal, um excelente ator”. (Ocasião da visita e noite de autógrafos do livro e apresentação pessoal à bailarina Cecília Kerche, Fortaleza-Ce): Hugo Bianchi, (2002)

Escola de Dança da Vila das Artes/Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), parceria Universidade Federal do Ceará (UFC). Atividade de Conclusão do Módulo: Dança e Teatro, ministrado pela professora de dança Sandra Meyer, de 12 a 17 de maio de 2008. Curso de Extensão Dança e Pensamento. Aluno Lúcio José de Azevêdo Lucena-Lúcio Leonn.

Nenhum comentário: