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“O ator emotiva o público! Um ator sem alma, com ofício... É como o Teatro sem o público”, (Lúcio Leonn, 1989).

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Entrevista/Diário do Nordeste/Caderno 3: DANÇA (7/11/2009)- Novos passos (curso dança & pensamento,2007-2009)

A dança como área de conhecimento foi um dos focos do curso Dança e Pensamento, que terminou ontem depois de lançar questões para o cenário local.

Corpo e dança: curso buscou novas formas de pensar velhas questões relevantes ao universo da dança cênica. (Foto: Silvana Tarelho)


Foram dois anos de curso, divididos em 18 módulos que proporcionaram um mergulho no universo da dança por meio de pesquisas, reflexões, discussões e experimentações. Criado a partir de uma demanda percebida entre os representantes dos segmentos da dança local, o curso Dança e Pensamento, realizado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, por meio da Escola Pública de Dança da Vila das Artes, veio suprir uma lacuna de debates teóricos em torno da dança em Fortaleza. A dança tomada como campo do saber e área de conhecimento que vai além da técnica e da prática.

Agregando um conjunto de ações direcionadas à formação e aperfeiçoamento artístico e teórico da dança cênica, o curso teve seu encerramento ontem em meio à apresentação de trabalhos dos alunos, na Vila das Artes. Tendo como corpo docente nomes de destaque nacional e internacional, o curso propôs um pensamento crítico sobre o corpo, a dança e sua relação com outras linguagem artísticas (teatro, cinema, música) e tecnológicas. A iniciativa deu novo gás às discussões em torno da dança e movimentou pessoas de diferentes instâncias com a presença de pesquisadores, teóricos, pensadores e bailarinos como José Gil, Armando Menicacci, Thereza Rocha, Eliana Rodrigues, Isabel Marques e Isabelle Ginot, entre tantos outros.

Natureza híbrida

Surgido em meio a um cenário que privilegiava a formação técnica de profissionais, e em uma cidade que ainda não possui graduação em dança - lugar que proporcionaria a reflexão -, o curso nasceu com a proposta de privilegiar um olhar diferenciado sob a dança. "O curso convidou profissionais da dança e de áreas afins a refletir sobre questões de diversas ordens que atravessam o fazer da dança na atualidade", explica Ernesto Gadelha, bailarino profissional e coordenador da Escola Pública de Dança da Vila das Artes. "O curso tentou fornecer ferramentas que permitissem ao aluno problematizar o campo da dança na contemporaneidade em sua complexidade, nas interfaces com outras linguagens, dialogando com várias áreas de conhecimento, produzindo pensamento, constituindo seu próprio campo de conhecimento", argumenta.

Para Ernesto, o grande mérito do curso foi pautar a dança de uma outra forma, "como uma manifestação atravessada por uma infinidade de vetores de diversas naturezas, completamente ´impura´ e híbrida, trazendo-a para fora de uma moldura-território limitada em que ela normalmente costumava ser enquadrada e lida".

"Tenho a impressão de que muita coisa importante foi vista, discutida, (re)significada pelos alunos. Fica a forte impressão de que o conceito ´dança´ multiplicou-se em seus significados e territorialidades possíveis após esse curso", acredita o coordenador do curso.

Teoria e prática

Dividido em quatro módulos distintos (Histórias da Dança, Interfaces, O Olhar Analítico e Dança hoje - cenas e questões, a ideia foi debater temas e acontecimentos relevantes de diversas ordens que têm permeado a dança cênica em suas dinâmicas, sobretudo no século passado e nesse século. "As discussões importantes foram muitas e devem continuar acontecendo e reverberando na cidade", espera Ernesto. "Uma das principais virtudes do curso foi situar a dança, com suas práticas, saberes, crenças, em meio a um campo vasto e cheio de interseções, atravessado por forças e dinâmicas múltiplas, em constante processo de reconfiguração".

Para Sylvia Sousa, que pratica dança contemporânea há 12 anos, o curso possibilitou que ela aliasse seu desejo pela prática com o interesse pela teoria. "Acredito na dança como área de conhecimento e o curso veio, exatamente, possibilitar o aprofundamento e sistematização de um pensamento sobre a dança", destaca. Segundo ela, o curso pontuou uma série de questões que permearam vários campos da dança. "Em particular me interessei mais sobre os temas que envolveram o corpo e sua presença cênica na dança, na performance e a transposição desta presença para o vídeo", conta a bailarina. "Outra área que me despertou muito interesse foi a filosofia. Ela me ofereceu grandes ferramentas conceituais que possibilitaram a elaboração de um pensamento mais profundo sobre as questões que estão postas atualmente sobre a dança contemporânea".

O ator e bailarino Lúcio Leonn concorda e elogia a iniciativa. "O curso me possibilitou sair do espaço do fazer/criar para o da escrita, reaprendendo a refletir nas atividades propostas no curso por cada professor visitante", conta. "O verbo antes era só o fazer, no sentido prático e inaugural de produção/recepção em espetáculos, de formação em artes ou de ensino, em curto prazo", acredita. "Com o novo milênio, o mercado de trabalho, as universidades/escolas no ensino artístico, as exigências do intérprete-criador perante ele mesmo e à nova cena convergiram para o conhecer", pensa.

Como principal resultado da empreitada, a criação e estabelecimento de uma nova visão para a dança. Entre vídeos, textos e artigos produzidos pelos alunos, a informação passou a ser sistematizada, as ideias começaram a ser pensadas de modo mais articulado e a dança passou a ganhar um novo status na cidade. "Considero, talvez, como grande destaque do curso o processo que este iniciou na construção de um pensamento critico sobre a dança na cidade de Fortaleza", cita Sylvia Sousa. "Tivemos a oportunidade de absorver um conhecimento adquirido por meio de professores relevantes no pensar e no fazer da dança hoje", destaca Lúcio. "O curso também mobilizou a dança cearense para fomentar a presença do crítico nesse segmento no Ceará".

Dança e educação

Com a conclusão do curso, a Escola Pública de Dança da Vila das Artes já pensa em novos diálogos da arte com a cidade e se prepara para lançar um novo curso no próximo ano. "Nesse momento, estamos trabalhando no desenho de um curso a ser proposto cujo foco deve gravitar em torno de questões que se estabelecem nas relações entre dança, corpo e educação, com ênfase na metodologia e prática de ensino para dança", adianta Gadelha. "Estamos buscando estabelecer um diálogo com a Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará. A partir desse diálogo, vamos definir a natureza que esse curso deve assumir. Podemos adiantar que será direcionado a profissionais que estejam atuando no ensino de dança". Promessa de continuidade para os novos passos dados pela dança cearense.

FÁBIO FREIRE
REPÓRTER

Fonte digital
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=688257

3 comentários:

Clara L. disse...

Como faço para seguir seu blog?
Estou tentando criar um pra mim.

Aí vai o link:

http://intuircl.blogspot.com/

Bjinho.

Japa. disse...

Boa noite,

Meu nome é Marise Ratashima e sou aluna de Cênicas - 4º semestre na Faculdade Paulista de Artes - SP.

Parabéns pela reportagem e pelo curso, achei muito interessante e gostaria de saber se posso utiliza-la em meu trabalho na faculdade na matéria práticas de ensino, é um trabalho em grupo, onde minha parte é pesquisar sobre dança teatro, ministrando uma oficina onde posso unir junto a outros assuntos pesquisados sobre ciranda, quadrilha!!! Os alunos que teóricamente iremos ministrar essas oficnas são do ensino fundamental I e II.

Vcs tem vídeos dessas aulas com alguns exercícios que poderíamos demonstrar em sala de aula
??? Gostaria de obter mais informações!!!

Bjs

Marise Ratashima.

Japa. disse...

Ah meu e-mail de contato é japa.arte@bol.com.br

Bjs

Marise Ratashima.