segunda-feira, 17 de novembro de 2008

“Análise crítica espetáculo, ‘Umwelt’ de Maguy Marin, em abertura Oficial da Bienal Internacional de Dança do Ceará / De Par em Par”

“Se não amo o mundo, se não amo a vida, se não amo os homens, não me é possível o diálogo”. Segundo, cita Sheila Campello (2008, p.10), segundo Paulo Freire, (1987, p. 80).

Viver consiste em ser delicado. E, é uma propriedade especifica de cada espécie. Sensibilidade de espírito; de atitudes; de ações ou ausências de comportamentos, de valores, em relacionar-se com o meio-ambiente e com o Outro, é o que mostra, “Umwelt”. Homem pós-(des)-humano. É uma série geográfica em deslocamento e sem perspectiva de comunicação e de ajustamento.
Por outro lado, nos coloca a par de observar um homem “civilizado“, refém de seu próprio habitat e de estudo de caso (nos é, familiar), porém, em cordão de isolamento, por falta de diálogo; de interrelação.

Dum vazio – em suspensão-reflexão-ação, próprio do mundo contemporâneo. Do pós-existencialismo. É como disse o maior dramaturgo de todos os tempos, William Shakespeare(1554-1616), "Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente". Ou melhor: Byron (1788-1824), "À recordação da felicidade já não é felicidade. A recordação da dor ainda é dor".
(Imagens aqui, (2008) captadas por Lúcio Leonn, em caráter de ilustração pedagógica)

O espetáculo também evidencia o ciclo do ser humano por meio da evasão de instintos “primitivos”, afetos, impulsos; pela "repetição", deslocações e de junção. Mas, *Umwelt (2004), é uma metáfora que permite e viabiliza enxergar o nosso percurso de andarilho pelo o mundo afora. Quando muitas vezes, tal ação é, de não-cumplicidade em abordagem Ecológica ou Bioecológica, (é a teoria de Bronfenbrenner, 1996), segundo menciona Pulino e Maciel, (2008), p.21.

Umwelt”, da francesa Maguy Marin é uma obra importantíssima para se compreender o desenvolvimento psicológico. Tanto na história do ser humano como na de cada indivíduo apresentado. Estimulam as percepções e acionam conexões - o sentido, nos indaga: precisamos nos adaptar e/ou re-transformar o meio, para co-agirmos?
“O homem age de acordo com os seus padrões culturais. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou, dependendo muito mais do aprendizado (‘endoculturação’ ou socialização, termos aqui equivalentes) que de atitudes geneticamente determinadas”. Segundo Makl (2008) apud Alfred Kroeber (1945), p.43.

Ao descrever o espetáculo para acompanhar as imagens, (que eram muito rápidas, na maior parte do tempo/espaço). Rápidas/repetidas/deslocadas, acredito que de propósito, porque na contemporaneidade em que vivemos, tudo é tempo digital, espaço-(3D) e tecnológico. Entretanto, justamente por isso, creio, tinham de ser, para que o olho captasse alguns momentos; flashes perdidos; o ciclo contínuo, que é a vida.


Em labirintos de espelhos e sons de guitarras, em fios condutores; os bailarinos seguem em paragem e de semelhança coreográfica - reflexos de quem somos em igualdade de gestos, muitos vezes delineados por cotidiano de idéias. Isto é, vejo Maguy pontuar a “soberba” via signo da coroa de rei, que se inicia em "alta" e culmina em "baixa".

A "luxuria", a "gula", à procura, à discórdia, o "poder", a música (Arte), o ser/ter criança etc; são elementos estruturantes da obra quando estamos sempre em linha horizontal e a espreitar/apreciar. Também, se revelam em fragmentos tardio, várias vidas expostas de pessoas comuns, ou seja, o lado “podre” ou do estar em perigo, a (des)humanidade.


Para conclusão, o espetáculo fotografa imagens (de corpos) em frontalidade como numa espécie de "valsa leve", em compasso ternário (3/4); respira como reflexão, via pausa (paragem); à luz de cena outrora, pontua em baixa resistência, para que a platéia usufrua a situação e passe também a ser cúmplice (reflexo/espelho). O vento, o som, tudo é ambiente de repercussão e que, na realidade socioambiental, podem virar uma catástrofe.

E, como disse Picasso, (1881-1973): ”todo ato de criação é, antes de tudo, um ato de destruição”. Então, Maguy Marin soube fazer; transcrever isso para a dança, e, muito bem.
* “Umwelt”- significa: ambiente e/ou entorno, em língua alemã.
FONTES CONSULTADAS

Campello, Sheila Maria Conde Rocha. Módulo 2 - Fundamentos da Aprendizagem a Distância. Unidade II: A Mediação Pedagógica e a Metodologia Colaborativa. a Distância. Plataforma AVA/arteduca. Pró-licenciatura-Teatro. Núcleo de Acesso ao Curso - Fundamentos da Licenciatura em Teatro e Fundamentos da Aprendizagem a Distância. Instituto de Artes (IdA)/Universidade de Brasília (UnB). Acesso (restrito): outubro de 2008.

Makl, Luis Ferreira. Módulo 6 - Antropologia Cultural. Idem. Acesso (restrito): outubro de 2008.

Pulino, Lúcia Helena / Diva Albuquerque Maciel. Módulo 5 - Psicologia e a Construção do Conhecimento. Idem. Acesso (restrito): outubro de 2008.

Curso de Extensão Dança e Pensamento. - Atividade de conclusão-módulo “Análise do Espetáculo Coreográfico”, realizado de 6 a 10 de outubro de 2008 -, ministrado pela pesquisadora e bailarina Silvia Soter. Aluno: Lúcio José de Azevêdo Lucena - Lúcio Leonn.

Escola de Dança da Vila das Artes/Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), parceria Universidade Federal do Ceará (UFC). Curso de Extensão Dança e Pensamento.

domingo, 16 de novembro de 2008

Sob à luz de saberes, estudos e interação da psicologia - constrói-se conhecimento pedagógico

vida escolar/profissional e a organizacional: vida pessoal/social

Imagens (acervo pessoal): Projeto Teatro Aplicado à Educação/Laboratório de Informática Educativa-LIE (2008): Interpretação Cênica/Emeif Herbert de Sousa-alunos (3ª e 4ª série) sob coordenação/aprendizagem e ensino, Lúcio Leonn.
Meu entendimento sobre o conteúdo do Módulo em questão: Psicologia e Construção do Conhecimento, se dar a partir da ênfase e da observação de conceitos da Psicologia; suas confluências e divergências quanto à concepção e entendimento do desenvolvimento humano; da aplicação junto à disciplina de Arte (ensino e aprendizagem/motivações/formação/inclusão/ambiência escolar); como também do diálogo entre os três teóricos (Piaget/Vygotsky/Wallon) - ao longo de minha História; de nossa compreensão / do funcionamento da evolução humana ou da minha prática pedagógica.
Tenho aqui, como parâmetro: os estudos, experiências de casos, teorias e práticas em abordagens, ou do aperfeiçoamento de pensadores, de estudiosos, especialistas do tema.

As principais idéias percebo sob à luz de saberes/estudos/interação da psicologia. Elas trazem à tona e reverberam-me, os seguintes conhecimentos:

• A Psicologia constrói em mim, professor em formação contínua: conhecimento pedagógico; desenvolve minha escola (campo profissional) e meu eixo organizacional (minha vida pessoal/social).
• A Psicologia está inserida socialmente. Como Ciência se aplica às pessoas; à educação formal. Pode ter diversas definições: pela influência cultural; pelo sentido intuitivo via leitura da mente individual e/ou coletiva.
• Contextualizo confrontos de idéias: Psicologia - a ciência da mente - ou aplicada tanto quanto a ciência do comportamento. Preocupa-se com os processos envolvidos nas mudanças que ocorrem ao longo de toda a vida do indivíduo pela Psicologia do desenvolvimento humano.
• Dou ênfase a Teoria Ecológica dos Sistemas de Bronfenbrenner, o ambiente ecológico (Microsistema/Mesosistema/Exosistema).
• O homem é sociocultural - constrói sua identidade em processos históricos e interacionais.
[Imagem: aquecimento vocal/corporal.]

•O texto me apresenta a teoria Psicogenética de Jean Piaget. De seu desenvolvimento psicológico, que são: assimilação, acomodação, estruturas ou esquemas, adaptação e equilibração e estágios, fases de desenvolvimento. A Aprendizagem é global, funciona como base fundante do desenvolvimento humano.
Imagem (Eduardo e Raquel): teatro de papel/contação e audição de histórias(Conto):
"Após o Dilúvio" .
Vide o vídeo:
• Também assimilo a teoria sócio-histórica de Vygotsky; a mediação simbólica; o desenvolvimento em dois níveis: o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial (Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)). A aprendizagem para Vygotsky depende da experiência e da história de vida pessoal em interação como meio. É uma abordagem sócio-interacionista.
[Arte & informática educativa]E, mais educandos à liderança.
• Por último, a teoria do desenvolvimento psicológico na teoria psicogenética de Henri Wallon. O campo da afetividade, o campo da motricidade, da sociabilidade, e o da inteligência. Os estágios e fases de desenvolvimento; a formação da personalidade; a favor duma educação e aprendizagem em dimensão estética, norteia-me Wallon.
• Em seguida, o texto em estudo, encaminha-me aos processos motivacionais e de inclusão escolar. Desde: contribuições à formação do professor de Arte. Quando tenho de ter: “prazer de causalidade, liberdade de escolha, sistema de crenças e motivação para a realização de minha práxis, etc”. Alenta-me por um movimento pela educação inclusiva e de pedagogia artística. Por uma escola para todos! Esta, pautada nas necessidades de educação especial - amparada por lei (LDB nº 9.394/96), dentre outras resoluções.
• Confirmo que, pelo estudo e inclusão da Arte e da Psicologia via escola, permite a mim, professor ou estudante, diversas experiências estéticas. Ao mesmo tempo, promove o equilíbrio emocional, o jogo perceptivo e consciente das mentes ou, do estranhamento da vida pela cartase. Pelo fazer/conhecer e expressar arte, o sujeito se apodera, de uma educação artística, desmistifica o Eu, intersubjetivamente.
Logo, as concepções aplicáveis a minha prática docente, segundo as abordagens de Piaget, Vygotsky e Wallon, que considero importantes no Ensino Arte (teatro), brevemente, enumero abaixo as seguintes:

• Via Piaget – (meu PRIMEIRO EXEMPLO): “pela prática e estudo do teatro/TEXTO (peça, espetáculo) a criança assimila a fala/o andar do personagem e acomoda pela repetição (ensaios direcionados/jogos dramatizados etc) o enredo. Vivencia a peça ou personagem”.

Imagens abaixo (Alexsandra/ Thayana)
Momentos de improvisação dramática livre e direcionada.
Sua personalidade vai ao mesmo tempo, como sujeito, a se estruturar em busca de adaptação e equilibração. Imagem(Thayana/Cláudiohenrique e Pedro Weslley): teatro de papel/contação e audição de histórias(Conto):"A Flecha Quebrada" .

[Dinâmica: eu tenho 5 qualidades e 5 defeitos(?). ]
Faz-se importante eu compreender e entender também os estágios/fases de desenvolvimento, segundo Piaget. Porque, de acordo com, será a minha aplicação metodológica ao ensino de arte (teatro) e idade da criança. • Via Vygotsky – (meu SEGUNDO EXEMPLO): “o enredo da peça se resume ao tema da violência entre as pessoas, (roubo/fome/falta de diálogo)”.

A partir da vida da criança (meio) e de minha intervenção como professor (debates, “o que é certo/errado”, ou o viver em comunidade etc) e também do aluno (processo de criação/ensaios na escola, suas indagações/comparações), há uma aproximação entre a mediação simbólica (o teatro e vida real);

Imagem acima(Lucas/Alexandra/Jeniffer): teatro de papel/contação e audição de histórias (Conto):"Ângelo, Bia e O Senhor dos Ceús".

o nível de desenvolvimento real do educando e o nível de desenvolvimento potencial, (há Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)), ou seja, da experiência e da história de vida pessoal em interação / domínio - tenho uma aprendizagem de meu aluno pela linguagem teatro, em abordagem sócio-interacionista. A criança passa a ter autonomia, visão - sem precisar de outros quando a temática tratar-se de “violência”.

[apreciação de cenas improvisadas]
• Via Wallon –(meu último EXEMPLO): O campo da afetividade (“pode acontecer pela emoção de experienciar e vivenciar os ‘estados psicológicos’ de personagens em situação ficcional para o mundo real do educando”.);

Imagem: exercício em bioenergética:aquecimento vocal/corporal

o campo da motricidade (“pelo movimento e espontaneidade corporal em exercícios livres ou direcionados por ensaios ou em processo de criação do corpo, da fala etc”.), da sociabilidade (“acontece pela cumplicidade com outro aluno-ator em jogo cênico e busca de acertar o que se quer alcançar”.), e o da inteligência ("de mobilizar conhecimentos em ação via elementos da linguagem teatro".)".

Imagem:exercício em bioenergética:aquecimento vocal/corporal

Por fim, os estágios e fases de desenvolvimento; a formação da personalidade (“do educado deve ser levado em conta em processos artísticos”.); a favor duma educação; de aprendizagem e ensino em dimensão estética, segundo cito aqui, Wallon.
Licenciatura em Teatro do Programa Pró-licenciatura UnB/UNIR/MEC
MÓDULO 06 ATIVIDADE Psicologia e Construção do Conhecimento
Porta-fólio Digital- ALUNO (A) Lúcio José de Azevêdo Lucena -Leonn
TUTOR (A) LURDIANA COSTA ARAÚJO DATA 16/11/2008
12h52min. PROFESSORA FORMADORA Profa. Formadora Sandra Regina Santana Costa

domingo, 2 de novembro de 2008

Da relação entre a Dança e a Música: obra Hommanges by M. Tompkins (COMPANY I.D.A., INTERNATIONAL DREEMS ASSOCIATED) - breve análise de: “Witness” -

por Lúcio José de Azevêdo Lucena

- (Dedicado ao coreógrafo e dançarino Harry Sheppard) -(1992), via DvD - Gilles TOUTEVOIX

Imagens abaixo, de reprodução: HOMMAGES to Vaslav Nijinski, Valeska Gert, Joséphine Baker, Harry Sheppard. (1998). (Última, da seqüência, é de WITNESS Hommage à Harry Sheppard (1992))



“A performance is a flow, which has a rising and a falling curve”.(Peter Brook)

Pela cadência e ritmo de passagem melódico, há licença para ir de um lugar a outro – como num passe livre/transe. “Tudo é possível e provável. Tempo e espaço não existem. Sobre a frágil base da realidade, a imaginação tece novas formas”. (Salles, 2004, apud Strindberg, p.133).

Sua entrada em cena se perpetua de costas para a platéia. É ponto inicial de personagem em caráter de estranhamento. Da presença física se instala o recurso: máscara/face/corpo/sons.

De imediato, o som produzido com os pés se faz presente a pontuar os “passos marcados” do intérprete-solo, Mark Tompkins. Um ritual profano, no dizer e olhar aqui de nós brasileiros, nos aproxima do encontro, da mise en sène.

Ao improvisar, Mark Tompkins tira música de batidas no chão, transpõe exercícios, reivindica rastros melódicos para o ato cênico e segue, até o momento do ritmo criado com os pés, cessar.

“Na improvisação, não pensamos antecipadamente nas formas, seqüências e resultados da dança, mas deixamos que o corpo e suas sensações, sentimentos, juntamente com nosso pensamento, trabalhem juntos no momento da criação. (...) improvisar não é fazer qualquer coisa. O processo de improvisação em dança exige tanto conhecimento de nosso corpo como das possibilidades da dança”. (A improvisação em dança, Coll e Teberosky (2004), p.163.).

[Imagem abaixo, de « Witness »,1992 / Reprodução via dVd por Lúcio Leonn]
Outrora, o movimento corporal nos exibe um corpo em triangular - assimétrico – em nível alto, pesa o corpo para espaço à direita/esquerda - uma expressão de braços articulados e sustentados no espaço acima do solo, em êxtase; a coreografia dá margem ao excêntrico.

De qual plasticidade em dança, o performer americano Tompkins se apropria, quer afamar e a nós oferecer? Logo, ele executa um corpo em estereótipo de sentidos; próprio da contemporaneidade; tem um modo singular e pessoal; seu percurso de criador é de intérprete do Contact Improvisation, (desde 1978).

A modelar o som/música pela sustentação e intervenção humana (sinal de cabeça, indicação pelo braço ao operador do som, durante início da música e o percurso cênico), ele desnuda junto à coreografia e música, rupturas de estética em nosso entorno (espectador) e da dança dita plástica.

“Com efeito, a música é talvez a única forma artística cuja capacidade associativa é inexausta e inesgotável, cuja capacidade de se ligar a condicionamentos quer patéticos, quer sensoriais, quer das mais abstratas motivações, é infinita”. Segundo Dorfles (1992): sucapítulo imagem musical e imagem mnêmica, p.130.

Em outro tempo, na retenção de corpo – espasmos – há contração muscular de maneira súbita e (in) voluntária em ebulição. A des-construção da cena, do ritual, antes mágico; sua dança se comporta em força da gravidade, da inércia em atos parados. Nela, existe o momento da troca de situação dramática para o silêncio; digo à degradação de cenas e de abertura de formas entre movimentos de braços e pernas. Trata-se, do se “deixar-fazer” espontâneo. “Ser espontâneo apenas significa ser coerente consigo mesmo”, (Ostrower, 1987).

(Imagem ao lado, idem)










“Do not move unless there is a reason to move, and desire for variety is not enough of a reason”. (Bertold Brecht, (1898-1956).)

“A busca da espontaneidade tem sido uma das características mais dominantes da arte de nossos dias. Em todos os setores de atividade artística, das artes plásticas ao teatro, da dança à expressão corporal e ao happennig, a espontaneidade é sempre uma constante”. Segundo Andrés, (2000), p.179.

Ao mesmo instante, “Witness/Hommage à Harry Sheppard” , ao assistir em vídeo (DvD), nos indaga os sentidos e permite ser seu cúmplice. É, para olhar do espectador e da edição em vídeo, uma ordem de significados, de valores pessoais, uma memória de vida; zona sensorial de construção entre o dançarino e o coreógrafo; há possibilidades de reencontros e também de idas `a casuais desordens ou de diálogos providos à margem da In/consciência.

“As danças na TV ou na tela de um computador não dependem somente do nosso olhar. A gravação foi dirigida, alguém fez um roteiro do tempo de gravação, dos detalhes a serem registrados, dos ângulos a serem tomados”. (As danças virtuais, Coll e Teberosky, p.168).

Da relação entre a dança e a música, não é só de testemunhar em favor, para homenagear Harry Sheppard. Tanto que, para o americano Tompkins, em seus repertórios, ele costuma estabelecer a seguinte direção: “Música para os olhos; o ouvido para o Movimento”.

Entretanto, na primeira música, (“As yet unfinished”, de Terence Trent d'Arby) a permanecer em som BG; do discurso verbal (da fala pronunciada em francês/inglês), justapõe-se à cena de paragem e ambos se complementam.Pois, na espera do ouvir a música (On), como num sistema de tempo “muted”, o intérprete verbaliza seu texto (Off) – assim, revela à platéia uma verdadeira composição poética – Uma Ode a Dança.

Por outro lado, transcrevo que: “A música, sobretudo, reencontra na dança muitas das suas leis e dos seus mistérios, além de ser o acompanhamento não indispensável, mas muitas vezes oportuno desta arte. De fato, temos uma dança monódica e sinfônica, um contraponto de figuras dançantes e uma harmonia das mesmas. (...) e podemos facilmente comparar a duração e o tempo das duas artes, ambas vivendo no instante e no seu devir”. (Dorfles (1992): sucapítulo imagem musical e imagem mnêmica, p.130.).

Percebe-se também na obra, uma correlação visual e de iluminação de palco com o corpo e espectador; o entrecortado (jogo de iluminação/claro/escuro/). É luz de cena, pelo clima noir quando surgem atos de mover-se como campo periférico, ou do resultado desta ação em espaço vazio,pelo canto da música vocal.

Para finalizar, Tompkins assume e reinventa sua dança junto à platéia, consubstancia diversas estratégias para o público se conectar em níveis de percepção e de análise corporal – do sentir-atuar-reagir-ouvir-vir e, de anunciação; de idolatria à dança/coreografia, de Sheppard.

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Perception plays a central role in obtaining bodily knowledge. Without perception, humans are incapable of experience and without experiences we are unable to acquire knowledge(Reisch, 2006)”.


(imagem, idem)

Sensation. Perception, wich is an action and requires active focusing, uses senses in the process. Thus sensing is related to the nervous system through perception (Cohen, 2003.64)”.

(idem)


Feelings are an integral source of bodily knowledge. Hawkins (1991,142) sees the body as a vehicle for feeling, a fundamental way of knowing”.

“Tanto que, para o americano Tompkins, em seus repertórios, ele costuma estabelecer a seguinte direção: ‘Música para os olhos; o ouvido para o Movimento’.”

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Notas de tradução:
"A percepção desempenha um papel central na obtenção de conhecimento corporal. Sem percepção, os seres humanos são incapazes de experiênciar e sem experiências nos tornamos incapazes de adquirir conhecimento (Reisch, 2006) ."
"Sensação. Percepção, que é uma ação e requer foco ativo, usa sentidos no processo. Assim, a sensação está relacionada ao sistema nervoso através da percepção (Cohen, 2003,64) ".
"Sentimentos são fontes de conhecimentos integrantes do corpo. Hawkins (1991,142): vê o corpo como veículo de sentimento, maneira fundamental do campo do saber ".


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRÉS, Maria Helena. Os Caminhos da Arte. 2ª ed. rev. e aum. Belo Horizonte: C/Arte, 2000.

BOGART, Anne and Tina Landau. The Viewpoints Book: A Pratical Guide do Viewpoints and Composition. Theatre Communications Group. New York, NY.- 1st edition (November, 2005), 4th printing, November, 2007.

COLL, César e Ana Teberosky. Aprendendo Arte - Conteúdos essenciais para o Ensino Fundamental. 1ª edição, editora Ática. São Paulo: 2004.

DORFLES, Gillo. O devir das artes / Gillos Dorfles; tradução Píer Luigi Cabra; revisão da tradução Eduardo Brandão.- (Coleção A).- São Paulo: Martins Fontes, 1992.

OSTROWER,Fayga. Criatividade e processos de criação.- Petropólis, Vozes,1987.

ROUHIAINEN, Leena (Editor-in-Chief). Ways of Knowing in Dance and Art (2007). Acta Scenica 19. Theatre Academy (Finland).Translation by Donald McCracken, Jill Miller and Hanna Peltokorpi. Co-editors Eeva Anttila, Kirsi Heimonen, Soili Hämäläinen, Heli Kauppila and Paula Salosaari.

SALLES, Cecília Almeida. Gesto Inacabado: processo de criação artística. 3ª edição. São Paulo: FAPESP: Annablume, 2004.

MEIO ELETRÔNICO
DVD/HOMMAGES (1992). Gilles TOUTEVOIX. Obra: “Witness/Hommage à Harry Sheppard”, coreografia de Harry Sheppard e Mark Tompkins. Performance de Mark Tompkins. Acesso em: 09 abril.2008.

DOCUMENTOS DE ACESSO DIGITAL
http://www.idamarktompkins.com/?q=en/marktompkins. Acesso em: maio de 2008.

Curso de Extensão Dança e Pensamento.
- Atividade de conclusão-módulo “Dança e Música”, realizado de 31 de março a 05 de abril 2008 -, ministrado pelo pesquisador, Armando Menicacci. Aluno: professor Lúcio José de Azevêdo Lucena - Lúcio Leonn.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O Método Feldenkrais: sustentáculo em tríade? - três planos, três dimensões ou, três elementos-chaves, para um dançar, viver?

por Lúcio José de Azevêdo Lucena
“A Educação Somática não pretende substituir o treinamento técnico da dança. Mas ampliá-lo”. Silvia Soter, 2006.

Imagem de Isabelle Ginot, em: “Práticas Somáticas Alternativas e a Dança - o Método, Feldenkrais”. Módulo do Curso Dança e Pensamento - Escola de Dança da Vila das Artes/Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), parceria Universidade Federal do Ceará (UFC). De 28 de julho a 02 de agosto, (Fortaleza-Ce, Brasil: 2008). Espaço Alpendre. (foto arquivo pessoal Lúcio Leonn)

O Método Feldenkrais se sustenta no procedimento dum corpus in locus, sua saúde interna, como mola propulsora; a espinha dorsal de acionar para organizar e controlar membros ou funções motoras; indo muito além dos sentidos sensoriais; do campo perceptivo da visão corporal, da ação física – ou, do não-movimento – visa desvelar no corpo, o domínio do movimento, desenvolver no indivíduo, seu espaço pessoal / global/ cênico / corpo de intérprete consciente.

“De acordo com a pesquisadora canadense Sylvie Fortin, (1996), três elementos-chaves permitem explicar como a Educação Somática age em beneficio da dança. A educação somática (i) age na prevenção e na cura de lesões; (ii) facilita o progresso do dançarino quanto aspecto técnico; e (iii) amplia sua capacidade expressiva”. (Segundo Silvia Soter, (2006): A educação somática e o ensino da dança, p.115.)

Por outro lado, é a percepção corporal de si mesmo. A busca da consciência do corpo expressivo para a origem, e do desdobrar/direcionamento liberado pelo fluxo do movimento em (não-) ação. A liberação se processa em três planos: no plano fisiológico, no plano psíquico/cognitivo e no plano técnico.

Já a dança na arte, o espaço abre também, em três dimensões: altura, largura e profundidade. Pode-se dizer aqui e de tratar o corpo, como numa pintura(bidimensional). Uma figura espacial, em 3D/escultura. É imagem de leitura, do campo visual.

Logo, um corpo é pessoal, preparado para a vida. Ele deve se efetivar e proporcionar diversos sentidos e de possibilidades na Arte/Dança/Vida.

“O gesto dançado, assim como o gesto cotidiano, carrega em si aspectos da história orgânica do sujeito, associada a aspectos culturais e simbólicos” (Silvia Soter, idem, p.117.).

Resultam em imagens, símbolos de uma “bela postura” corporal. Elabora a integração educativa entre mente sã em corpo são.

Concluindo, o Método Feldenkrais, evidencia-se para o sustentáculo, sempre em tríade. E, se desdobra também, via número 3; em três planos, em três dimensões; por fim, três elementos-chaves, para um dançar, viver...

Para isso, se faz necessário apreender e se (re) educar, a busca do conhecer, do pensar, do “aprender-fazendo”, de habitar o método na consciência do corpo e da prática em Educação Somática.

Referências Bibliográficas

PEREIRA, Roberto e Silvia Solter (Coord.). Lições de Dança 1. In: Silvia Soter, p.115 e 117: A educação somática e o ensino da dança.-, 2ª edição – Rio de Janeiro: UniverCidade Ed., 2006. 190p.

PORCHER, Louis (Org.). Educação Artística - Luxo ou Necessidade? Tradução de Yan Michalski. Coleção Novas Buscas em Educação, volume 12- São Paulo: Summus, 1982. 197p.

Isabelle Ginot – Professora do Departamento de Dança da Universidade Paris VIII é praticante do método Feldenkrais. Seu ensino e sua pesquisa abrangem da análise de obras coreográficas contemporâneas (Dominique Bagouet, un labyrinthe dansé, edição do Centre National de la Danse, 1999) à análise das práticas dos dançarinos, especialmente o trabalho em torno da questão da imagem do corpo. Colabora regularmente com intérpretes e coreógrafos contemporâneos na Europa (Rosalind Crisp, Julie Nioche, entre outros) e um dos eixos de sua prática Feldenkrais é a reflexão sobre o uso desse método pelos dançarinos.

Curso de Extensão Dança e Pensamento. De 28 de julho a 02 de agosto - Atividade de conclusão-módulo “Práticas Somáticas Alternativas e a Dança - o Método, Feldenkrais”, ministrado pela professora Isabelle Ginot.
Aluno: professor Lúcio José de Azevêdo Lucena - Lúcio Leonn.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Da seleção dos candidatos para Oficina Théâtre du Soleil no Brasil(CE), 1988

Da inclusão de candidatos na “oficina théâtre du soleil

Primeiramente, foram divulgados pela imprensa, o local e o período da realização. Ele aconteceu no Serviço Social da Indústria-SESI/Parangaba, durante todo o mês de outubro com apoio da citada instituição. Mas foi prorrogado por alguns dias, transferindo-se também de local e data de seleção de alunos-atores.

As inscrições aconteceram na Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto, de forma gratuita à comunidade teatral.

No entanto, a inscrição feita para a Oficina não significava inclusão total nos trabalhos, pois todos os inscritos passariam por uma seleção sob a responsabilidade dos orientadores/atores franceses no período de 29 de setembro a 11 de outubro de 1988.

A seleção não acontecera realmente nas datas supracitadas e sim, no período de 1º a 05 de outubro de l988, em horários alternados, numa ante-sala do Theatro José de Alencar, mediante a confirmação do dia, e do horário, por telefone.

Segundo comunicação interna, obteve-se cerca de 500 candidatos inscritos candidatos selecionados entre a nova e velha-guarda, contando também com os iniciantes. Lembro-me de que meu número de inscrição era de nº 77 (setenta e sete) para concorrer uma das 60 (sessenta) vagas, porém, foram selecionados mais de sessenta alunos-atores.(Anexo 1- Da seleção dos candidatos para Oficina Théâtre du Soleil, p. 89)
***
Para cursar essa oficina teatral, todos os candidatos inscritos tiveram que passar por seleção. Responderam, por meio de entrevistas, as seguintes indagações: O que é Teatro para você? Por que você quer fazer essa Oficina de Teatro?

No mais, foi comunicado através de circular, que todos selecionados (mais de 60 alunos-atores) deveriam comprometer-se em portar figurinos (quarda-roupa de trabalhos já realizados), como também material para limpeza do rosto (algodão, sabonete, toalha, etc...), que seriam necessários durante a realização da oficina. No entanto, boa parte dos figurinos usados pelos alunos-atores foram cedidos e pertenciam ao acervo do grupo Comédia Cearense. Já aqueles alunos-atores, que necessitassem de documentos ou de declarações, para solicitar liberação dos seus respectivos locais de trabalhos, deveriam requerer à Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto do Ceará com a devida antecedência.

Oficina Théâtre du Soleil no Brasil, ministrada em Fortaleza-Ce (mês de dezembro) aconteceu de 05 de outubro a 5 de novembro. Teatro São José, período de 30 dias. Posterior, no Crato-Ce e Salvador. Ano de 1988, pelos atores Georges Bigot e Maurice Durozier.

Prática na Oficina Théâtre du Soleil, em Fortaleza-Ce; os seguintes alunos atores e atrizes, por ordem alfabética:


(Foto pessoal de Leonn): Margarete Costa e Lúcio Leonn, em cena com Máscaras de Senhora e Senhor Pantaleon(e)

1.Ana Angélica de Almeida,
2.Ana Cristina Viana,
3.Ângela Escudeiro,
4.Aída Marsipe,
5.Anália Timbó,
6.Aurecy Pinheiro,
7.Aristides Neto,
8.Acácio de Montes,
9.Afrânio Brígido,
10.Antônio Rodrigues,
11.Airton Lima,
12.Áurio Lúcio,
13.Antônio Reinaldo,
14.Benígno da Nóbrega,
15.Chico Alves,
16.César Maier,
17.Chiara Queirós,
18.Cláudio Jaborandy,
19.Dami Damião,
20.Danilo Pinho,
21.Dênis Rabelo,
22.Deugiolino Lucas,
23.Eugênia Nogueira,
24.Edson Santos,
25.Edson Saraiva,
26.Eliete Frota,
27.Francisco Alencar,
28.Francisco Freitas,
29.Gil Brandão,
30.Graça Freitas,
31.Graça Martins,
32.Humberto da Silva,
33.Iziane Mascarenhas,
34.Jô Granjeiro,
35.Jamila Coelho,
36.João Barbosa,
37.José Ricardo Lopes,
38.Josué Silva,
39.José Francisco Jr,
40.João Andrade Joca,
41.Kátia Arruda,
42.Martine Kunz,
43.Lou Landim,
44.Lúcio Leonn,
45.Marta Aurélia,
46.Manuel Rodrigues,
47.Marcos Maciel,
48.Meire Virginia,
49.Márcia Paiva,
50.Margarete Costa,
51.Maria de Lourdes,
52.Maria das Neves,
53.Nádia Torres,
54.Omar Rocha,
55.Paulo Ess,
56.Pedro Gonçalves,
57.Rejane Reinaldo,
58.Ricardo Black,
59.Ribeiro Neto,
60.Raimundo Lima,
61.Robério Fefre,
62.Renato Severo,
63.Socorro Moura,
64.Sandra Veloso,
65.Tica Fernandes,
66.Ueliton Rocon,
67.Valmir Brás e
68.Virgínia Tavares.

(Fonte: Arquivo pessoal do ator Lúcio Leonn. Fortaleza-Ce, dezembro de 1988)
(*) Anexo I-Da seleção dos candidatos para Oficina Théâtre du Soleil. *Parte integrante de sua pesquisa de pós-graduação, intitulada: "Os Processos de Formação Teatral em Fortaleza na década de 1990: Memórias de um ator.

Imagens, abaixo mais recentes:

Foto/reprodução Georges Bigot, 2008.


Foto/reprodução Maurice Durozier, 2007.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Análise coreográfica, obra - “SMOKE”, coreografia de Mats Ek (performance de Sylvie Guillem & Niklas Ek). Música de Arvo Pärt

por Lúcio José de Azevêdo Lucena
VIA DvD: EVIDENTIA



Imagem/reprodução, cena de Smoke.
“MOVIMENT IS LIFE... Sylvie Guillem”, (Foto).

And the smoke?

"The smoke which comes from their clothes & mouths is what they say to each other." Mats Ek

O VÍDEO nos coloca a par da diversidade em espetáculos da dança-cênica, da cultura virtual, que envolve o corpo em experimentação e de integração com as tecnologias em tempo-(virtual)-espaço-(visual)-real. Ou, de muitos percursos, de encontros entre Arte & Tecnologia Digital. Ao mesmo tempo, nos alenta que, este diferencial hoje apresenta justamente, o fazer artístico contemporâneo - digno da própria formação em dança-teatro/tecnologias; de um olhar alterado, este antenado numa educação estética, do aqui agora.

A direcionar aqui, meus estudos para obra SMOKE, há de antemão, em análise, o visual da relação intrínseca entre o intérprete-espaço-corpo-objeto-movimento/cena real-virtual, em situação dramática. Uma articulação entre dança, teatro e novas tecnologias (digitais), na dança contemporânea, cujo tema é, as relações interpessoais, os projetos atitudinais, num ambiente e gênero do humano.

“Quem pensa a dança hoje inquieta-se com as múltiplas articulações entre tecnologia e movimento. (...) A hibridação entre corpo e tecnologia é nosso destino. Que a dança encontre a sua estética!” (Paulo Vaz e Mauricio Lissovsky, (2006), subcapitulo Tecnologias e Movimento, p.49.)

O virtuosismo se repete aqui no texto e em obra, como sinônimo do virtual. Assim, como o minimalismo / na pulsação e mimetismo dos gestos e da cadência de movimentos, ora intérprete-solo ou em dupla, ou se encontram em busca de reencontros possíveis: homem x mulher - na exploração de elementos cênicos. Digo, não só a partir do corpo em ação, mas na justaposição de imagens/imagéticas.

Há na dança, a intertransposição do corpo em movimento e de gestos, a pontuar através de imagens de cenas, figurinos, luz, refletor, cenário etc. Exploração de movimentos e objetos cênicos e, do que se pode extrair pelo mundo das possibilidades audiovisuais e do corpo em estado dramático/alterado de significações /sentidos.

“A dança-teatro aproximou-se das experiências do cotidiano do corpo no contexto de políticas sociais desencadeadas pelos anos 70 e 80. O descompromisso com a narrativa linear de uma fábula ou personagem, faz com que a história a ser contada pela dança-teatro seja a do corpo universal, em justaposição ao testemunho pessoal dos intérpretes”. Sandra Meyer, (2006, p.4).

Sylvie Guillem & Niklas Ek em: Smoke
©Warner Vision e capturada do DVD.

Logo, em plásticos momentos e circunstanciais, o de relacionar o gesto ao dançar: o extraquotidiano se reinventa. Um jogo lúdico de corpos e de linha de oposição. De situações grotescas, do ponto de vista do humano, é perceptivo. O corpo preconiza em cena um discurso. Permeados de solos, na conexão: intérprete – movimento - espaço – persona / contador de histórias/tema. Tem a presença constante de um dizer (texto) interior que, posterior, extrapola todo o espaço. Ou da relação de estar só (observado) e, querer dizer algo pelo corpo e sua relação modus vivendi. “O artista dialoga também com a obra em criação. Ele, muitas vezes, em meio à turbulência do processo, vê-se produzindo para a própria obra”. Salles, (Dialogo Com a Obra, p.47, 2007.).

No percurso de dinâmica seguida pelas músicas, a coreografia é variável em sua velocidade, cíclica e des/constante e grotesca no sentido de alcançar: o teatral -, por meio de gestos meticulosos. “A velocidade, cada vez maior, com que o tempo e o espaço são vivenciados e visualizados estabelece um novo padrão estético que se aplica à criação das imagens contemporâneas”. Cerbino, 2006. (Subcapitulo: Novos Tempos, Outros Espaços, p.74).

Outro ponto observado por mim, nesta criação, é que, sempre co-habita o mistério do voyeur a rondar o presente em cena, como de concreto e de retorno à origem, do mover-se.

OUTRO DISCURSO PELA OBRA, “SMOKE”

UM QUADRO; UMA PINTURA, INSPIRA-ME!

"Tudo o que vemos esconde outra coisa, e nós queremos sempre ver o que está escondido pelo que vemos”. (RENÉ MAGRITTE, 1898-1967)

Os surrealistas propunham a fusão de dois estados - os sonhos e a realidade. Logo, a obra deste pintor é marcada pela criação de cenas simples nas quais um único detalhe é suficiente para provocar no espectador um sentimento de absurdo e uma impressão de mistério. O mesmo acontece com a coreografia de Mats Ek, via performance/técnicas de Sylvie Guillem & Niklas Ek. O seu trabalho é sempre complexo e obriga ao raciocínio, à interpretação e ao estudo. “Os quadros de Magritte não podem ser simplesmente vistos. Precisam ser pensados. Todo o surrealismo tem um trago de loucura que revela toda a genialidade”.
(Imagem acima, reprodução: “The Man in the Bowler Hat”)

O re-discurso pela obra “Smoke”, dividida em quatro partes (o classificarei, assim: 1ª parte: o despertar do encontro / 2ª parte: o sublime/ 3ª parte: o desaforo entre pessoas e, por fim: o pulsar pela vida), logo se dá sempre pelas indagações e respostas, mutuamente proferidas pelos corpos dos intérpretes - de Um para o Outro ou, em Solos. De encaminhar ou receber, oferecer, “um verbo”. Do ir e retornar. Há momentos de ataque, mas defesas de/em espaço pessoal/total. Direções diversas, (o uso da parede).
Outrora, marcadas pela música de gênero instrumental, os bailarinos usufruem todos os níveis de movimentos. E, de transição de movimento em cena. Uns desenhos em movimentos circulares e pontuados, com precisão e técnica. Repouso em movimentos e gestos contínuos e, de retorno ao retilíneo, corpos angulares e do peso, de extensão de movimentos/corpos.

Concluindo, a obra elabora e reorganizam nossos sentidos visuais e cênicos – devaneios de momentos espaciais. Ilusão óptica. Imagens oníricas. Momentos supérfluos, fugas da vida, pela arte de viver. Dançar...

Referências Bibliográficas

HADDAD, Denise Akel e MORBIM, Dulce Gonçalves. Arte de fazer Arte. 6ª série-1ª edição. São Paulo: Editora Saraiva: 1999. In: Aula de arte e experiência do ator e Arte-educador Lúcio Leonn.

PEREIRA, Roberto e Silvia Solter (Coord.). Lições de Dança 1. In: Paulo Vaz e Mauricio Lissovsky, p.49: A vida na tecnologia. (Subcapitulo: Tecnologias e Movimento), 2ª edição – Rio de Janeiro: UniverCidade Ed., 2006. 190p.

_________, Roberto e Silvia Solter (Coord.). Lições de Dança 1. In: Beatriz Cerbino, p.74: Uma cela pós moderna. (Subcapitulo: Novos Tempos, Outros Espaços, p.74). 2ª edição – Rio de Janeiro: UniverCidade Ed., 2006. 190p.

SALLES, Cecília Almeida. Gesto Inacabado: processo de criação artística. 3ª edição. São Paulo: FAPESP: Annablume, 2004.

Artigos consultados
Escola de Dança da Vila das Artes/Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), parceria Universidade Federal do Ceará (UFC). Curso de Extensão Dança e Pensamento. Dança-teatro-performance. A indisciplinareidade em questão. Artigo escrito e, módulo ministrado pela professora de dança, Sandra Meyer. Módulo Dança e Teatro, de 12 a 17 de maio. Fortaleza-Ce: 2008.

Meio eletrônico
DVD/Evidentia. © Warner Vision. Obra “Smoke”, coreografia de Mats Ek. Performance de Sylvie Guillem & Niklas Ek. Acesso em: 09 agos.2008.

Documentos de acesso digital
http://blog.uncovering.org/archives/2006/03/rene_magritte_1.html. Acesso em: 18 agos.2008.

http://www.ballet.co.uk/magazines/yr_02/dec02/pb_dvd_evidentia.htm. Acesso em: 21 agos.2008.

Curso de Extensão Dança e Pensamento - Prefeitura Municipal de Fortaleza. Escola de Dança de Fortaleza - Vila das Artes. Parceria: Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Ceará.
-Atividade de Conclusão/aluno professor Lúcio José de Azevêdo Lucena (Lúcio Leonn)–

Módulo: Da Unicidade a Pluralidade - trajetória da dança moderna e pós-moderna. Professora Eliana Rodrigues. Aconteceu durante os dias 07 a 11 de julho.

sábado, 16 de agosto de 2008

Selecionados Oficina O Teatro é o Outro com Maurice Durozier, do Thêatre du Soleil, 2008

por Lúcio José de Azevêdo Lucena

TJA – Centro de Artes Cênicas do Ceará/Cena (anexo TJA)

Oficina O teatro é o outro
: Maurice Durozier.De 19 a 30 de agosto de 2008 na Sala de Teatro Nadir Pápi Saboya. Aulas de terça a sábado Manhã: 9h às 13h (sábados: à tarde) Noite: 18h às 22h.

[imagem em aula de, MAURICE DUROZIER (19.ago.08)-por Lúcio Leonn.]
Selecionadores: João Andrade Joca (professor-coordenador do CPBT-TJA)-Fran Teixeira (professora-coordenadora do Curso de Artes Cênicas do Cefet)- atores/artistas educadores: Lúcio Leonn, Cláudio Ivo e Tutti Gonçalves .
Selecionados
MANHÃ: 64 (INSCRIÇÕES)
1. Alberto Wellington Peixoto Calaça
2. Ana Cristina Rodrigues Viana
3. Andréa Piol Sá
4. Charles Yuri da Silva Yamamoto
5. Christiane Bezerra Góis
6. Deugiolino Lucas Martins
7. Ecila Moreira de Meneses
8. Fernando Higor da Silva
9. Francisco Doniran Borges da Silva
10. Helano Chaves Moura
11. Jacqueline Rodrigues Peixoto
12. Jadeilson de Sousa Feitosa
13. José Edson Cândido Alves
14. José Tomaz de Aquino Jr.
15. Juliana Carvalho Nascimento
16. Klístenes Bastos Braga
17. Lana Soraya Furtado Benevides
18. Levy Galvão Mota
19. Lorena Medeiros Maia
20. Maria Vitória Alves de Freitas
21. Marina Brito Morais
22. Marta Aurélia Bezerra
23. Mayara Marrie de Castro Catanho de Sena
24. Melissa Lima Caminha
25. Patrícia Ferreira Cavalcante
26. Paulo Anaximandro Tavares
27. Tamara Queiroz Beserra Larripa
28. Tatiana Conde Alves Rodrigues
29. Tatiana Martins Leite
30. Thiago Arrais Pereira

Observador: João Andrade Joca (professor CPBT)
Cláudio Henrique Tomaz Ivo (professor CPBT)
Ednéia Quinto Gonçalves (professor CPBT)

Classificáveis Manhã

1. Rogério Mesquita Rodrigues
2. Tatiana Paula de Amorim
3. Ronaldo José da Costa Silva
4. Carlos Henrique Castro da Penha
5. Daniel Malaquias de Vasconcelos
6. Christiane Rodrigues de Lavor
7. Antônio Carlos de Lacerda Cruz
8. Cleiviane Marques Vasconcelos.
Imagem, MAURICE DUROZIER (19.ago.08)por Lúcio Leonn

Selecionados
NOITE: 49 (INSCRIÇÕES)

1. Aline Rodrigues Nogueira
2. Angela Maria Escudeiro Luna Coelho
3. Antônio Cleydson Catarina
4. Antônio Dhennis Maia Rogério
5. Bárbara Silva Pacheco Guimarães
6. Bruna Alves Leão
7. Camila Barbosa Martins Nogueira
8. Cínthia Teixeira Brito
9. Daniele Alves do Nascimento
10. Denílson Almeida de Carvalho
11. Elienai Vigon de Souza Andrade
12. Fátima Muniz Macedo
13. Francisco Ecibio Coelho Falcão Jr.
14. Geórgia Maria Carvalho Brito
15. Giovanni Marsallis
16. Gustavo Gomes Lopes
17. Henrique Bezerra de Souza
18. Jean Carlos Barbosa de Sousa
19. Jonathan dos Santos Coutinho
20. Larissa Lima Montenegro
21. Leir Araújo Pontes
22. Maria Cristiane Souza Pires
23. Maria Marina Alves de Freitas
24. Nádia Aguiar
25. Nágila Viviane Pereira Silva
26. Omar Rocha
27. Ronaldo de Queiroz Lima
28. Sâmia Regina de Albuquerque Bittencourt
29. Saymon Cunha Morais
30. Yasmin Élica Queiroz de Oliveira
Observador: Lúcio Leonn (artista educador/PMF)

Classificáveis Noite
1. Gracyellen Ferreira de Paula
2.Valdeana Linard Círio Oliveira
3. Gilvan de Souza Silva
4. Kelfer Stênio de Souza Lima
5. Francisca Lúcia de Jesus Bernardino
6. Antônia Cavalcante de Oliveira
7. Francisco Paiva Filho

Fonte(pessoal): Equipe da Comissão de Seleção- Oficina O Teatro é o Outro-Theatro José de Alencar/TJA

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Carta de Intenção-Oficina "O TEATRO É O OUTRO” -2008 , ministrada por Maurice Durozier (Thèâtre du Soleil)

Oficina "O TEATRO É O OUTRO” - 1ª Residencia após 20 anos - 2008

(Por Lúcio Leonn)

Sou Ator egresso da Oficina Thèâtre du Soleil (1988), ministrada por Georges Bigot e Maurice Durozier, em Fortaleza-Ce, (120h/aula).

Por meio de conhecimentos e experienciação na referida Oficina; fui co-fundador da Cia de Teatro Lua (1989). Cujo procedimento em atuação cênica; da formação de grupo e/ou influência técnica, provém da filosofia do Soleil, em seus integrantes (procedentes).

“(...) No Teatro precisamos do Outro para existir(...)"., Leonn apud Pupo, segundo Maurice Durozier(2007)

Imagem (arquivo pessoal/Leonn), de Maurice Durozier, em (Entrevista) Fortaleza-Ce- 21 de outubro de 1988.

Além de continuar a atuar como ator de hoje, sou defensor e professor ministrante, em repasse de técnicas do “Soleil”, via cursos, palestras ou oficinas de teatro.

Autor da pesquisa de pós-graduação, intitulada: “Os Processos de Formação Teatral em Fortaleza na década de 1990: Memórias de um ator”. Fortaleza: UECE/CEFET-CE. 2002; (Monografia de Especialização em Arte e Educação, 177p). Nela, há um subcapitulo dedicado a toda memória da Oficina Thèâtre du Soleil. Desde a discussão, entrevistas; da vinda dos integrantes a Fortaleza-Ce, com apoio via órgãos governamentais e entidades de ensino, bem como registro de nomes de alunos atores/atrizes na seleção e participação; há breves fotos, além de suscitar a criação de novos grupos de teatro etc.

Por outro lado, sinto-me hoje, co-responsável pela sua vinda ou, de pôr em contato o Theatro José de Alencar e sua gestão 2008, (via diretora Isabel Gurgel) nas mãos da conhecedora Deolinda Vilhena (jornalista e produtora cultural, Doutora e Mestre em Études Théâtrales pela Univesité de la Sorbonne Nouvelle e Mestre em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo). Onde sua paixão e nossa conexão, é o Théâtre du Soleil...


imagem (arquivo pessoal/Leonn), de Georges Bigot, em (Entrevista)Fortaleza-Ce-21 de outubro de 1988.

Finalizando, é de suma importância, minha participação na presente Oficina "O TEATRO É O OUTRO” , a ser ministrada por Maurice Durozier, (de 19 a 30 de agosto do presente ano, em Fortaleza-Ce). Logo, marca meu retorno às origens, (meu reencontro de ator - com a verdadeira arte teatral).

É um novo tempo... Por uma longa espera de quase 20 anos.

Cordialmente, Lúcio Leonn.
(Fortaleza-Ce, 08/08/08).
Encaminhada,(para oficializar inscrição/seleção)
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"Je sais que s'enva le théâtre que j'ai connu. La 'Saudade' me presse le couer, mais le souvenir reste vivante". Lúcio Leonn, em homenagem ,(depoimento escrito e entregue aos franceses)-nov/1988. [sinto que vai embora o teatro que conheci. A saudade aperta-me o coração, mas resta a Lembrança"].
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Imagem (idem) candidatos selecionados e práticas na Oficina/Alunos atores/atrizes _Teatro São José ________________________________________________________
Ver Orkut/Comunidade Oficina Théâtre Du Soleil/BR em http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=23388480

Breve Reflexão em Estudos Iniciais e Avaliativos: teatro/educação à distância / pró-licenciatura-teatro / Curso Licenciatura Teatro (UnB): via Fórum




Não priorize seu planejamento, ao contrário...
Planeje suas prioridades. (Bertocchi apud Covey, 2004).

O Teatro como toda arte nos engrandece e nos inquieta a querer voar pela vida. Mesmo longe do palco ou a margem dele (teatro-educação). Um dia chega a nossa vez (atuação).

Observando as discussões do fórum e em aula presencial, estamos inaugurando um outro saber-fazer/ser: o teatro/educação em curso a distância. Logo, somos protagonistas desta nova cena.

Estamos via Fórum a planejar, a organizar atividades e para isso, requer investimento de tempo; assumir compromisso em uma ‘nova’ preparação científica e etapa específica de nossas vidas.

Percebo que, um dos motivos de nós professores em educação estarmos aqui é, Aprender a aprender - conscientes de nosso papel social (Escola) e da fruição artística, “buscamos organizar a vida pessoal/profissional”, (Nóvoa, 1992) - além de alentar e alavancar a nossa formação; devemos aliá-la às Novas Tecnologias da Informação e da Educação a Distância.

Imagem/acima (pessoal) aula inaugural-Universidade de Brasília/UnB-04 de julho de 2008.

E, este Curso (pró-licenciatura-teatro/licenciatura teatro-UnB) abre a janela deste dois ou mais campos em espaços de possibilidades de mudanças e de ação na docência. Há um novo olhar nosso a transitar, voltado agora para a Cultura Virtual.

E, tem sido “difícil para alguns” fáceis para outros. Toda transição é normal quanto à estranheza ou de mudar conceitos, paradigmas, pensamentos ou mesmo suscitar contravalores. Teatro à distância? Muitos têm a nos indagar. Estamos todos dispostos a aprender e, a errarmos juntos. E, no final? Nossa ovação, diante de nós mesmos, é a vitória.

E, “(...) Quanto mais freqüentemente usarmos a sala de informática, mais seguros e confortáveis nos sentiremos. Para tanto, precisamos criar novos hábitos e atitudes”, (Sônia Bertocchi, 2004).

No fórum do curso em discussão, a saber; há professores a mobilizar e informar a compras de computadores, para melhor desempenho junto ao conhecimento on-line; ou mesmo solicitando bate papo no chat do Curso; outrora,a ajudar e apreender juntos, passo a passo. Professores/as voltam a ter brilhos e sonhos, o retorno ao velho Teatro.

Há no curso, aqueles com bastante experiência na área. Outros, não. Mas nesse curso, digo, tudo se faz à primeira vez. Só podemos caminhar juntos quando o Último sentir-se o Primeiro. Teatro/educação se aprende-fazendo - a pensar, a compartilhar. É, arte da equipe. Precisamos daquela pessoa, que sozinho acende a luz de serviço do palco, escondido, para estarmos ali diante da platéia. Esta luz é o conhecimento/aprendizagem que cada um de nós tende a oferecer.

Também chegamos a comparar e “exigir” via fórum atividades, como se estivéssemos em aulas presenciais “face to face”. Embora durante as primeiras atividades solicitadas: 1) memorial trajetivo e 2) expectativas e planejamento pessoal do curso; tais atividades possibilitaram uma viagem ao nosso mundo interior, via campus virtual.

Em suma, estar sendo importante e inquietante esta preparação/familiarização inicial, com todos ao/no ambiente e plataforma do Curso, via Internet (Arteduca - Instituto de Artes - Universidade de Brasília-UnB).

“Eu também estou achando fantástico essa nossa interação, parece que estamos tão perto... Não tenho dúvidas de que tornaremos uma família bem unida (...).” Por Genilza Urany da Silva - quinta, 24 julho 2008, 13:59): Fórum Módulo I > Atividades 1 e 2/Módulo I ; (curso pró-licenciatura-teatro/licenciatura teatro-UnB).

Outro aspecto a pontuar, se refere à atenção e empenho das tutorias, do material impresso e encaminhado aos cursistas; além do dinamismo da coordenação do Curso, (evidenciado em plataforma - ambiente de aprendizagem - ou pessoalmente).

Todos estão de parabéns, logo, sempre presentes a Equipe se faz; como uns “acalantos” ressonantes; eles não nos deixam margem a querer nos desestimular, ou termos pesadelos diante das problematizações e inquietações surgidas pelo Ensino/aprendizagem à distância.

Referências Bibliográficas

NÓVOA, Antônio. (org.) Os Professores e sua Formação. Lisboa/Portugal: editora Dom Quixote, (1992).

Documentos de acesso digital

http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=internet_e_cia.informatica_principal&id_inf_escola=34. Acesso em: 25 abr.2008.

Genilza Urany da Silva. Ponto de vista. Restrito (aos alunos cursistas) em: http://arteduca.unb.br/ava/mod/forum/discuss.php?d=1767. Acesso em: 27 jul. 2008.

(Tarefa Avaliativa) - aluno da Universidade Nacional de Brasília-UnB/Instituto de Artes-IdA:Lúcio José de Azevêdo Lucena (Lúcio Leonn)
Postada em /Última edição: Segunda, 28 julho 2008, 00:53 (782 palavras)

domingo, 20 de julho de 2008

RELAÇÃO ENTRE A DANÇA E O TEATRO. OU QUE SE TÊM - (TENHO) A DIZER SOBRE O TORTUOSO OU DOCE RELAÇÃO - TEATRO E DANÇA. (DANÇA-TEATRO. TEATRO-DANÇA.)

“O teatro no Ceará caminha em busca de uma redescoberta, preocupando-se com um maior aprofundamento da estética cênica da linguagem corporal e da interpretação voltada ao ator”. Lúcio Leonn. (Entrevista ao Jornal Tribuna do Ceará, 1994).

O Teatro e a Dança cada vez mais se aproximam de um querer dizer – ou, da marca registrada da arte contemporânea, – tornar-se o “indizível”. “O corpo é o instrumento para que a vida se manifeste”, (ANDRÉS, 2000).

A dança e o teatro, ou vice-versa, vem se afirmando aos nossos sentidos, via possibilidades circunstanciais e, do campo relacional do humano.

Imagem ao lado/reprodução - fragmento do espetáculo: Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade - Lúcio Leonn/Geíza-Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceará –UFC (1992).

Ao mesmo tempo, falar dum corpo em ação, em jogo, este revelador e provocador de significados, mesmo por meio de movimentos não fluentes (estáticos), em espaço cênico; ou pela linha conceitual do espetáculo, pela dramaturgia; é ainda hoje um paradoxo de conceitos imprevisíveis.

Pela dança e pelo teatro, há ainda, ações perenes a serem desmistificadas por muitos estudiosos das duas áreas. “A Arte, em qualquer de suas modalidades estéticas nasce da liberdade. Somente mais tarde ela é entregue ao raciocínio, para ser depurada e corrigida”, (ANDRÉS, p.179).“A arte é filha da liberdade” (segundo SALLES, 2004 apud SHILLER, 1989).

Na gramática do movimento e da fala (atuação) ou ao inverso disso, mesmo sem pontuação da música, corpos dançam - mais uma vez, repito: a Arte quer falar do humano. E o que temos a oferecer de tão humano, pela dança e pelo teatro? É uma resposta que não se cala. “A dança reúne em si tempo, espaço e energia. Liga-se a música, que é a arte do tempo. (...) Por outro lado, o corpo é o instrumento que irradia os impulsos da alma: o semblante, o olhar, a mímica, o gesto, as mãos, os pés, a entonação”, (ANDRÉS, 84 e 91).

Atualmente, tem-se a se perguntar muito por um instante, mesmo diante da cena e até torna-se em nós “sujeitos iluminados” quando sentados na platéia assuntamos: até que ponto uma linguagem se sobrepõe a outra? Ou, quando ela se complementa entre si, como unidade única, na concepção de mais um trabalho, ou na dramaticidade contada por um Tema, em uma peça, espetáculo de dança? Outrora, por meio de ações físicas tão presentes nos corpos dos bailarinos/atores/atrizes/personagens; sempre há de devir um encontro do possível, entre: platéia e espetáculo.

“A função da dança é revelar o Ser interno”, já dizia Martha Graham a seus alunos.

Entretanto, com o objetivo de apurar e concentrar idéias aqui, acerca da relação entre a Dança e o Teatro, entrevistei um jovem e promissor ator estudioso de teatro, (também com formação e experiência corporal engajada pelo balé). Ele norteou quatro caminhos possíveis desta conexão, a saber: - O Corpo. A Intenção. O Impulso. O Élan.

E, ressaltou, ainda: “é através destes [quatro elementos, acima] que se vir à corporeidade do ator/bailarino. Há uma repetida provocação entre essas duas artes; uma precisa da outra para se completar. Quando se atua, se faz partituras corporais, marcações; que eu posso afirmar, que é uma seqüência. Sendo assim, um ciclo de movimentos, dançados. E quando se dança?” Indaga-se e ao mesmo tempo, ele responde;

”Quando se dança, exige-se do bailarino um ‘jogo’ com a platéia; um interesse em transparecer sentimentos. Isso, só é conquistado, quando se estuda a relação do ator com a platéia [no momento, acontecimento real da cena], por meio de intenções com o corpo, com o rosto etc”. Diz, Saymon Morais(aluno artes cênicas (2º semestre), do centro federal de educação tecnológica do ceará -Cefet-Ce, 2008). Grifos nossos.

(Imagem acima aluno-ator, Saymon Morais), em: esquete "Serial Killer" -exercício final do módulo/ disciplina, “Laboratório de Teatro” (1ª semestre): Cefet-Ce,de 2007.

A dança e o teatro, na minha opinião, busca oferecer um ser que pensa em cena, de acionar todo seu corpo-persona, para contar e desvelar histórias. Estas narradas, dançadas, apreciadas e vivificadas pelo Corpo na condição social. Um paradoxo da catarse.

Em cada modalidade artística penso, há um encontro diante da sua historicidade, do saber-fazer (processo) e do pensar (conhecer) via elementos constitutivos, próprios e de cada linguagem.
A dança e o teatro possuem instruções distintas, logo, precisamos saber mobilizar e organizar nosso espaço-tempo, de atuação/performance. Cada arte é delimitada de pertencimento e do retorno à origem. “Cada dança tem sua própria identidade e, portanto, sua própria estrutura”, (SALLES, em citação, no dizer de Murray Louis, (1992) p. 135).

Mas, que discurso nosso corpo quer falar? Logo, na dança ou no teatro; também há falas, uma ação corporal e de raízes de seus intérpretes ou de trabalhos que querem nos remeter, se personificar entre nós, (Vianna, Kusnet, Burnier, Graham, Cunningham, Bausch, Bogart e Landau, para citar alguns).

Inúmeros trabalhos meus ao longo de minha carreira no teatro, especificamente, coloca-me em cena sob este campo tão dual e dialético: o teatro/dança. O discurso vem não só conduzindo-me caminhos para dançar, como para o processo de criação como artista e professor de Arte. Estamos sempre a querer superar nossos próprios limites em cada obra encenada ou pelo discurso proferido. É uma relação doce e tortuosa.

De uma maneira “oculta”, meu corpo no teatro tem dançado. Mas é preciso revelar e afirmar que: ele teve um preparo antes, muito antes, em aulas do velho clássico, ballet. Ou, em diversas imersões minhas, (com o uso do corpo em ação) ou em conexões a serem evidenciadas abaixo.

Para auxiliar e desenvolver meu trabalho e “corpo-de-ator” em espetáculos, sempre tive “pés na dança”. Minha atuação transfigura em tais convergências: no fazer do corpo/atuação/cena e, no pensar/fazer personagem e seu corpo-dançante.

Imagem: espetáculo/opereta "A Viúva Alegre", de Franz Lehár, direção de Haroldo Serra. Regência Márcio Spartaco Landi. ENCENAÇÃO grupo Comédia Cearense e Orquestra de Câmara ELIAZAR DE CARVALHO. Set-2007(Luís Carlos Prata e Lúcio Leonn, à direita)-Theatro José de Alencar

Além de balé clássico acadêmico; enveredei-me na oficina de “Expressão Corporal” (1991) com o coreógrafo Zednek Hampl, do grupo Sopro de Zéfiro de Recife. “Dança de Hoje” (idem), ministrada pela bailarina holandesa Olga de Graaf; “Dança para o Ator” (idem), ministrada pelo coreógrafo Gilano Andrade, que resultou no espetáculo de dança, “Ballet Alice” (1991). Ainda em 1991, via Escola de Cultura, Comunicação, Artes e Ofícios-ECCOA. Curso “Arte do Movimento - Rudof Von Laban” (1994), por Augusto Pereira da Rocha, professor do Teatro Escola Macunaíma/SP; Oficina de “Expressão Corporal” (idem), ministrada pela coreógrafa Deborah Colker, no Projeto Encenação/ECCOA. (Todos os projetos mencionados acima foram realizados na cidade de Fortaleza-Ce, durante o programa inaugural do Theatro José de Alencar.).

Continuando, quando atuo “penso” no corpo do personagem e, em sua dança. Ou, na relação de contato; na concepção do encenador e obra dramática. Procuro fisicalizar de forma in/voluntária via exercícios; entender os imprevisíveis da cena, em favor de novas e velhas interseções.

“O trabalho do ator ‘sobre si mesmo’ implica num certo tipo de conhecimento, que não é só a construção de um modelo teórico sobre as relações corpo e mente, mas envolve a complexidade da ação humana e a imprevisibilidade das relações espaços-temporais momentâneas”, (Sandra Meyer, p. 12 - artigo apresentado aos alunos do curso de extensão Dança e Pensamento, módulo dança-teatro, 2008).

Recentemente, pela primeira vez, creio de forma inédita, na cidade de Fortaleza-Ce, (via módulo/curso dança e pensamento, por meio dos conhecimentos e estudos de MEYER) fomos apresentados a experienciar um ‘novo’ tempo/espaço (físicos e vocais), do/no Corpo: os Viewspoints / Pontos de Vistas, (desmistificados por Anne Bogart e Tina Landau).

Tal Tempo/Espaço (o corpo na relação, a resposta sinestésica, a “forma”; o corpo em andamento; na duração de movimento e na repetição etc); remeteu-me ao trabalho e estudos de Laban, (para referenciar um nome da dança; de meus contatos dançantes, antes dos Viewspoints); também ao famoso método de ações físicas-(kostantin Stanislavisky), junto com meu trabalho de ator, difundidos por Celso Nunes (1999);minha professora russa Maria Karadja (1997) e, sua biovoz em partituras físicas (ambos no curso colégio de direção teatral/instituto dragão do mar).

Foto (Lúcio Leonn/Reprodução).>.Breve ensaio coreográfico(julho 2008-Teatro Arena Aldeota)

Um pouco mais além, revisita meus estudos práticos com o método de treino e de criação do grupo peruano Yuyachkani, pela Oficina Internacional de Teatro, (1998)-Escola Internacional de Teatro pela Escola de Teatro da América Latina e Caribe-EITALC.

Da prática e da teoria dos Viewspoints, meu ponto de vista salienta e inaugura uma nova postura pessoal, para todo o campo da criação artística (atuação, direção, cena/dramaturgia/escrita, design etc). É de uso e treino pessoal/coletivo. Não é bula. E, como visto, merece mais estudo aprofundado e prático,para não cair em deturpação ou virtuosismos de alguns, no Brasil. Salva exceção, a professora doutora Sandra Meyer, da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC e seu grupo de estudos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• ANDRÉS, Maria Helena. Os Caminhos da Arte. 2ª ed. rev. e aum. Belo Horizonte: C/Arte, 2000.

• LUCENA, Lúcio José de Azevêdo. (Lúcio Leonn) - Os Processos de Formação Teatral em Fortaleza na década de 1990: Memórias de um ator. Fortaleza: UECE / CEFET-CE. 2002; (Monografia de Especialização em Arte e Educação, 177p).

• SALLES, Cecília Almeida. Gesto Inacabado: processo de criação artística. 3ª edição. São Paulo: FAPESP: Annablume, 2004.

Entrevista

• Depoimento afetivo de Saymon Morais. Aluno-ator do curso de Artes Cênicas (2º semestre), do Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará -Cefet-Ce. Fortaleza-Ce: 2008.

Periódicos

• Arquivo pessoal e experiência do ator e Arte-educador Lúcio Leonn.

Artigos consultados

• Jornal Tribuna do Ceará (extinto). Ex-repórter estudantil da Tribuna na Escola é hoje ator reconhecido. TC e escolas incentivam lado artístico do aluno. Fortaleza-Ce, 20 de janeiro de 1994.

• Escola de Dança da Vila das Artes/Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), parceria Universidade Federal do Ceará (UFC). Curso de Extensão Dança e Pensamento. As ações físicas e o problema corpo-mente. Artigo escrito e, módulo ministrado pela professora de dança, Sandra Meyer. Módulo Dança e Teatro, de 12 a 17 de maio. Fortaleza-Ce: 2008.

Este [Lúcio Leonn] é um misto de ator-bailarino... Por sinal, um excelente ator”. (Ocasião da visita e noite de autógrafos do livro e apresentação pessoal à bailarina Cecília Kerche, Fortaleza-Ce): Hugo Bianchi, (2002)

Escola de Dança da Vila das Artes/Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), parceria Universidade Federal do Ceará (UFC). Atividade de Conclusão do Módulo: Dança e Teatro, ministrado pela professora de dança Sandra Meyer, de 12 a 17 de maio de 2008. Curso de Extensão Dança e Pensamento. Aluno Lúcio José de Azevêdo Lucena-Lúcio Leonn.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Contextualização de um problema: Breve (In)formação (histórica) de professores/as de Arte ou de artistas-educadores em Fortaleza-CE,

Partindo de Instituições de Aprendizagem/Ensino

Por Lúcio José de Azevêdo Lucena (Lúcio Leonn)

“Lúcio Leonn, brilhante ator com admiração do velho ator.” Emiliano Queiroz –, em noite de autógrafo de seu livro: “Na sobremesa da Vida” e, ocasião do aniversário do Teatro, que leva seu nome. (Fortaleza-Ce: 2007)

A partir de 1990, as artes desenvolvidas em Fortaleza/CE, se destacaram em termos de ações qualitativas para a formação e qualificação profissional de atores/atrizes. Entretanto, a prioridade não foi à regulamentação desses cursos junto à clientela ou órgãos educacionais acreditados.

Precisamente, em 1991 inicia-se mais uma capacitação introdutória e de formação profissional, exclusiva para atores/artistas, via programação inaugural do Theatro José de Alencar.
Em 1995, foi a vez, do pensar profissional para a Direção Cênica (Curso Colégio de Direção Teatral, Cursos Básicos de Artes Cênicas - Teatro), em seguida a qualificação de Pessoal Técnico (Cursos Profissionalizantes de Capacitação Técnica em Fortaleza, Cursos de Iniciação e Formação Técnica no Interior do Estado), estes últimos, com a criação do Instituto Dragão do Mar de Arte e Audiovisual do Ceará, a partir de cursos seqüenciais oficializados em 1997.

Da Associação dos Profissionais de Dança (1990), da I Bienal de Dança do Ceará (1997), bem como, para capacitações de bailarinos, à reciclagem de professores / coreógrafos via laboratório de criação, da formação e o pensar, aconteceram no final da década de 1990, com a implantação do Colégio de Dança do Ceará (1999), além da Comissão de Dança e, da prática via Projetos.

Informo aqui breve e historicamente que, o ensino da arte, (especificamente a teatral) e da sua formação em nossa capital, ocorre/u desta maneira: em funcionamento durante o ano de 1960, em caráter experimental e depois criado oficialmente, pela Resolução 101 de 24/02/1961, legitimou-se o conhecido: Curso de Arte-Dramática (CAD) da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Ceará – UFC. E, há tempos permanece desarticulado dos princípios que regem a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)-Nº 9.394/96. Ele está inserido especificamente, no contexto de formação da universidade federal do ceará (criada em 1954) quando, o atual Instituto de Cultura e Arte (ICA), de 2003, subsidia, as atividades do supracitado curso.


Imagem espetáculo de conclusão "Yerma" de Frederico Garcia Lorca, pelo Curso de Arte Dramática da UFC(turma:1992-1994): Antônio Carlos Vilar, Luciano Jr, Lúcio Leonn e Helena Vilar-Teatro Universitário Pascoal Carlos Magno. Direção de, Ivonilson Borges

Já a Universidade Estadual do Ceará, fundada oficialmente em 1975, tem oficialmente,legitimado professores de arte para o mercado de trabalho ao criar o Curso de Música – Licenciatura. E, de oferecer cursos diversos, de extensão em música.

Continuando, pelo breve histórico e mais recente estudo em formação de arte-educação de nosso Estado, a se contextualizar aqui por fundamentação do autor; em 1996, já na gestão do secretário de cultura do estado, Paulo Linhares, criou-se o Instituto Dragão do Mar (como menciono acima, no segundo parágrafo) e seus cursos técnicos e básicos em: teatro, cinema, vídeo etc, sendo extinto tal Instituto e seus cursos em 2004, (pouco tempo depois da fusão do Instituto ao Centro Cultural Dragão do Mar), após mudança de secretariado de cultura do estado.

Imagem(acervo pessoal)dos concluintes do Curso Colégio de Direção Teatral(1ª turma-1996-1999)Instituto Dragão do Mar.

Não se tem demonstrado interesse em orientar e organizar principalmente, os profissionais do Teatro, da DANÇA, em nosso estado via políticas públicas educacionais – como também não se percebe uma formação docente no campo da arte\dança-educação. Revela-se apenas na capacitação e formação de atores-atrizes/bailarinos, de reciclagens artísticas.

Enquanto isso na cidade surgiu um Curso de Especialização em Arte e Educação (1997), e o Curso Tecnológico/Superior em Artes Cênicas (2002), em caráter de graduação, ainda não licenciatura, ambos no Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará-Cefet/Ce. Foi quando só em maio de 2008, cumprindo esse ideal, tal órgão federal reorganizou seu currículo e apresentou à comunidade de Fortaleza-Ce, seu Curso de Licenciatura em Artes-habilitação em Teatro, (em Processo Seletivo de ingresso no segundo semestre de 2008).

Há ainda o Curso de Especialização em Metodologias do Ensino de Artes, pela Universidade Estadual do Ceará-Uece. Novas turmas se formam a cada semestre/ano.O objetivo é atender uma parcela de professores de Arte via formação docente em Arte-Educação, pois muitos professores (com ou sem formação em Arte) precisam manter-se na rede de ensino como professores ou artistas-professores e vice-versa.

No entanto,o ensino de Arte ocorre por meio do teatro(extensão(CAD)/graduação (cefet-ce), *dança, música(Uece/ufc) e *artes plásticas(cefet-ce) (ou em *faculdades particulares: (Faculdade Integrada da Grande Fortaleza-FGF, de 2000) - quando se cria demanda.).

Indo,definitivamente, para o novo milênio, no ano de 2005 a Faculdade de Educação-Faced (também da UFC) apresentou o recém-criado curso de Educação Musical – Licenciatura, ainda não atendendo uma parcela, na carência de professores de Arte para o ensino de música.

Já entre outra ação política no Cariri-Ce, resultou na criação da Escola de Artes da região. A Escola de Artes fora iniciada em 2005, fruto da articulação entre coordenação do Pólo Universidade Regional do Cariri (URCA) e a Prefeitura Municipal de Barbalha. Como também responsável pela oferta e criação de Licenciaturas do Curso (da Urca) de Artes Visuais e de Teatro (de Barbalha). - na época, inéditos no Estado. O processo de seleção para professores de arte (cinco vagas - interpretação/expressão corporal/ direção), iniciou-se em setembro de 2006, via concurso público estadual. E, aulas, no segundo semestre seguinte.

Em novembro de 2007, em nível de extensão, inicia-se o Curso "Dança e Pensamento"(1ª TURMA),pela Prefeitura Municipal de Fortaleza-via Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet)/Programas de Formação Dança da Funcet,parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC). Com duração de dois anos, o curso é gratuito, mediante seleção pública. Objetiva implantar um processo de formação que ofereça aos artistas e pesquisadores atuantes na área de dança recursos técnicos e teóricos para problematizar questões relacionadas ao campo cênico. Sendo ministrado por professores de renome nacional e internacional, é composto por 18 módulos divididos em quatro diferentes eixos temáticos: Histórias da Dança; Interfaces; O Olhar Analítico e Dança Hoje – Cenas e Questões. Além de o curso pertencer à Escola de Dança de Fortaleza-está situada na Vila das Artes, onde também abriga a Escola de Audiovisual(curso de cinema) e, um Centro de Artes Visuais.

Já em 2008, pela Faculdade Marista Católica do Ceará, em curso, temos o Curso de Especialização em Dança-Educação (1ª turma). E, também, o Curso de Belas Artes (habilitação em artes cênicas e artes plásticas),lançado pela Universidade de Fortaleza-UNIFOR, também com Processo Seletivo de ingresso ao segundo semestre de 2008.

Ainda em 2008, tem início o Curso Técnico de Dança(2ªturma), uma parceria entre o Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC), SENAC e SECULT. O Curso Técnico em Dança, segundo a divulgação, vem modificando o panorama da dança no Estado. Cujo objetivo, é de dar oportunidade de uma formação superior para os que trabalham com dança no Ceará. Com duração de dois anos, o curso é gratuito e destinado à ex-integrantes de companhias de dança e grupos independentes.

Percebe-se aqui que, o Curso de Arte Dramática da UFC, é o pioneiro na formação de professores de Arte (linguagem teatro) para as escolas particulares e públicas de nosso Estado, até recentemente (pós-LDB). Isso sem levar em conta os registros de cursos e de formação docente do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno - de 1938, ano de fundação, como a mais importante Instituição no ensino da Música no Ceará.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LUCENA, Lúcio José de Azevêdo. (Lúcio Leonn) - Os Processos de Formação Teatral em Fortaleza na década de 1990: Memórias de um ator. Fortaleza: UECE / CEFET-CE. 2002; (Monografia de Especialização em Arte e Educação, 177p).


Periódicos

Arquivo pessoal e experiência do Ator e Arte-educador Lúcio Leonn.

Artigos de Jornais consultados
Jornal Tribuna do Ceará (extinto). Ex-repórter estudantil da Tribuna na Escola é hoje ator reconhecido. TC e escolas incentivam lado artístico do aluno. Fortaleza, 20de janeiro de 1994.

Jornal do Campus Unifor. Informativo quinzenal, nº 149.Belas Artes na Unifor. Fortaleza, 15 de abril de 2008.

Documentos de acesso digital:
www.urca.br/cev/concursos/2006 Acesso em: 08 de maio de 2007.

http://podcultura.blogspot.com/2008/04/aberto-edital-para-vestibular-para.html. Acesso em: 21 de abril de 2008

Com  temática, leia também aqui:
ANTEPROJETO: DANÇA-EDUCAÇÃO – BREVE ESTUDO DE CASO OU, DE PROCESSOS DE (IN) FORMAÇÃO EM DANÇA / CONEXÃO REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE ENSINO DE FORTALEZA-CE – O (A) ARTE-EDUCADOR (A). Disponível em: http://notasdator.blogspot.com/2008/04/dana-educao-breve-estudo-de-caso-ou-de.html

E,
PROGRAMA INTEGRAÇÃO AABB COMUNIDADE-FORTALEZA-CE: UM EIXO SOCIAL EM ARTE & EDUCAÇÃO- E, mais: um pouco da história, de metodologia, da terminologia à formação - entender a Arte no conceito escolar e contexto de nossa cidade. Disponível em: http://notasdator.blogspot.com.br/2008/04/programa-integrao-aabb-comunidade.html
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