sábado, 29 de março de 2008

Atividade de Conclusão do Curso: Uma Biografia - (3º Módulo) "Dança cênica no Ceará - origens e desdobramentos", ministrado pelo Prof. Roberto Pereira

Valeska Mariano de Castro -(Uma Biografia em Contexto Social Feminino): da bailarina à rodar... de educadora física... à socióloga...

Sua infância fora, sonhar: “ver aquela bailarina e acompanhá-la com um pequeno olhar e fitar seu gesto pleno e estático; ‘ver à bailarina a rodar... a rodar, com o tema musical de “Lara” ao fundo’. Embora, o grande estimulo para Dança, veio da pequena caixinha de música, que ela hoje, ainda a guarda em corpo de mulher, como relíquia nostálgica; houve demora de ser, e de estar a bailar...

Depois dos 15 anos de idade que recomeça a sonhar... Era a exigência do corpo na Dança e vice-versa, a vida querendo driblar...Ter o Mundo ao alcance dos dedos, dos pés na Dança, no ar. Uma fascinação!

Mas, a Vida começa aos 40, 50, 60...? Não fora por falta de sonhos de sua mãe, de ver a filha bailarina ou, nem mesmo seus... Voar...

Como criança, Valeska Mariano de Castro, ou adolescente menina, era sempre gordinha... "cheinha de corpo".

(Abrem-se as cortinas):
Primeiramente, a Dança-Educação esteve presente em sua vida pessoal, no desenvolvimento e projeção escolar; no grupo de dança do Colégio Cearense, até completar seus 15 anos. Indo em seguida, para o Colégio Geo Studio e lá, faz considerando seu verdadeiro trabalho, a produção em dança-escolar,sob som musical de Marisa Monte: (DEIXE ME IR PRECISO ANDAR... VOU POR AI A PROCURAR...).

Com a Dança vieram as mudanças... pelo seu corpo... no pensamento, deixou-se ir.

Ainda na cidade de Fortaleza-Ce, Espaço Rosana Pucci, depois dos 15, começou a dançar Ballet. Aliando ao sonho de menina e o brilho, pela Arte de dançar... Tudo começara de forma estelar e projeção de algo cênico, entre bailarinas, sonhos, à platéia e refletores, participando de inúmeros espetáculos do grupo, mas sempre como coadjuvante de cena.

Por várias vezes, tornou-se “garota mil coisas”. Waleska Mariano de Castro, agora passa a desfilar,exibir o corpo, mas nada a agradava de antemão.

Convidada pela Banda Acaica, faz parte do seu corpo de dança de salão. Um sonho... "Dançar", em vários lugares... Em cima de trio elétrico! Aracati-Ce... Salvador...

(Conflito):
Sua família exigia seus estudos acadêmicos, em favor da questão financeira. Deixando-a completamente sem palco, rumo ou ânimo.

Aos 20 anos... Queria cursar Educação Física. Porém, é com as Ciências Sociais (habilitação em Sociologia e Antropologia), a partir de 1998, pela Universidade de Fortaleza (Unifor), encontrou seu “porto seguro”.

(Adversidades, de um tempo):
Um episódio inusitado em sua vida, (o caso da lata de leite moça),- ela foi parar no hospital. Hoje ela ri(nós rimos), mas segundo o escritor português,Eça de Queiroz, (1845 - 1900), 'O riso é a mais antiga e ainda a mais terrível forma da crítica.'

Definitivamente, parou seus estudos acadêmicos por mais ou menos 3 a 4 anos. Logo, perdeu em tal dia, a prova de vez, de uma das disciplinas.

Nesse intervalo, casa-se... Retorna à Sociologia (licenciatura plena) pela mesma universidade de outrora, e conclui o Curso, em 2003 -, ingressando também ao mercado de trabalho.

No entremeio de tempo e espaço, consegue nos braços de seu ex-marido, aprimorar mais ainda seu interesse pela Dança, passando a admirar os trabalhos em sustentabilidade social,-os serviços da bailarina cearense Janne Ruth e, passando a trabalhar como socióloga-técnica, ela não aparecia nos espetáculos, mas ao lado das atividades socioculturais de Ruth, via Secretaria da Ação Social do Estado do Ceará, de 2005 a 2006.

(Mais mudanças):
Torna-se coordenadora geral e professora de dança contemporânea e curso de ballet clássico no Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável - CIEDS (Organização Não-Governamental), por um período de seis meses no ano de 2007.(ver Imagem, abaixo)

Neste período, recomeça seu velho sonho; o de cursar a faculdade de educação física...

-(Uma pausa)-

Fora chamada pelo Estado, por meio de concurso público, para lecionar a disciplina de Sociologia, na Escola de Ensino Municipal Fundamental e Médio Centro Educacional Moema Távora, até 2006.

No entanto, é professora de História e Geografia (Projovem) na Prefeitura Municipal de Fortaleza, de 2005 a 2007.

Antes, fora coordenadora pedagógica na EMEIF Affonso de Medeiros em Caucaia-Ce, em 2004. E, depois, coordenadora escolar/gestão, na E.E.F.M Centro Educacional Moema Távora, em 2005.

Possui no currículo apresentação de trabalhos científicos, palestras e oficinas realizadas, como: “Historicidade indígena e aculturação feminina: um estudo de caso sobre os índios Tapeba”, no VII Encontro de Iniciação à Pesquisa, realizado no período de setembro, de 2002, Universidade de Fortaleza (Unifor);

“Imigração e Pobreza: um estudo em Horizonte-Ce”, IX Encontro de Iniciação à Pesquisa, realizado no período 2003,pela Universidade de Fortaleza; no ano de 2005 - Seminário História, Cultura e Cidade, pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), participando da mesa de comunicações coordenadas, tema: “A importância dos centros comunitários de Fortaleza para as comunidades atendidas”.

Participação da Oficina de trabalho para construção do Plano Estadual de Promoção da Igualdade Étnico-Racial, como palestrante, pela Secretaria da Ação Social do Estado do Ceará, em 2006.

Tem atuação e protagonismo em movimentos sociais e políticos: sindicatos, escolas e associações diversas, explicitando sua participação, abaixo;

Coordenação e formação de associações comunitárias, bem como na preparação de lideranças comunitárias; aconteceu na E.M.E.F João Antônio da Silva (Horizonte-Ce) de maio de 1998 a setembro de 2001, com detalhamento da atividade: Trabalho de mobilização na comunidade do Catolé, município de Horizonte, junto ao conselho comunitário. Além da Associação de Moradores do Conjunto Santa Terezinha -ABC Mucuripe, em Fortaleza-Ce, no período de Maio de 2003, a junho de 2004.

Por alguns instantes, se empenhou nas atividades de circuito de aulas em academias de musculação, como professora do Sistema "Body Systems" (Body Pump e Body Attack) e instrutora de musculação, pela Academia Planeta Corpo, em 2007.

(Retornando à Cena):
Valeska Mariano de Castro se considera uma mulher romântica, reside em Fortaleza-Ce, mora no bairro Pan Americano. É Pós-graduanda em Especialização em Administração Escolar (2008), pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA); e também cursa pela mesma universidade, Licenciatura em Educação Física (5° semestre).

(Um desejo):
Não quer deixar nunca, a Dança de lado. E,como educadora física, pretende nas escolas municipais de Caucaia, inserir projetos sociais e fazer deles: “motivação de crianças e jovens”, ministrando também, aulas de Educação Física/Dança.

(Cenas anteriores):Castro, tem passagem também em livre formação, como bailarina, da Cia de Dança Janne Ruth.

(Conclusão):
Aluna do curso "Dança e Pensamento” (1ª turma),pela PMF-(Funcet) e, parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), em 2008.

Hoje, se sente feliz com o que faz e com o que sonha: “ter um espaço onde a Dança seja valorizada como possibilidade de viver bem... que a Dança possa ser mais reconhecida entre nós, como essência vital de todo ser humano”.

(Fecham-se às cortinas, fim do 1º Ato.)


Não foi encaminhado até a presente data, (29/03/08); cenas ou momentos; imagens; de seu trabalho artístico, entre outras. Há um registro de imagem acima (foto), de atividade social (reportagem de jornal(?), s.d.), como possibilidade de ilustração, desta página. Fica para posterior publicar aqui, tais ilustrações. O show não deve parar...

(Abrem-se às cortinas: movimento, música..., 2º Ato). Fim.

O 3º módulo "Dança Cênica no Brasil" - Origens e Desdobramentos" foi realizado entre os dias 21 a 26 de janeiro, das 19h às 22h (segunda a sexta) e 09h às 12h (sábado), sendo ministrado pelo doutor em Comunicação e Semiótica, coordenador do Curso Superior de Licenciatura em Dança do Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro, Roberto Pereira.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

*Principais Características das Escolas de Canto (bel-canto): Italiana / Francesa / Alemã

Opereta A Viúva Alegre  de Franz Lehár (1870-1948) Direção Haroldo Serra
Theatro José de Alencar (2007)-Espetáculo Comemorativo aos 50 anos da Comédia Cearense
Atividade para/aula do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno
Disciplina Canto Erudito. Prof. João Barreto

por  Lúcio José de Azevêdo Lucena (Lúcio Leonn), 2007

Para início desta escrita e pesquisa, tomo posse dos seguintes registros encontrados e revelados abaixo. Um deles, em seu livro - ABC para Cantores e Oradores e Locutores (transcrevo aqui, a partir desse Livro, boa parte de sua fundamentação teórica para compor este trabalho apresentado) – Onde não procurarei responder de forma direta e objetiva. É quando a ilustre e grande professora de canto, Hilde Sinnek, já nos idos de 1955, sinalizou o que hoje ainda considero como reflexão inicial:

(...) Abstraindo-se das diferenças de timbres, idioma e interpretação, a “técnica pura da voz” dos verdadeiros cantores é inteiramente igual. Por quê? Ainda sob a luz de sua escrita e pensamento, à resposta dela, é categórica: eles seguem a emissão correta do Bel-canto, que é a estrada principal para o sucesso artístico, no sentido mais severo. (...) A técnica perfeita é uma só e está acima de nacionalidade do cantor, apesar de não ser esta, todavia a opinião. (Os Métodos de Canto, p.11)

A professora Sinnek, segue adiante e contrasta com o seguinte dizer:

(...) Acreditam ainda muitos, que a maneira de emitir a voz varia conforme a natureza da língua materna do cantor e daí vêm à discriminação das escolas de canto: francesa, italiana, alemã, etc., o que indubitavelmente é um engano de tempos passados que se conservou por decênios. (idem)

Percebe-se também no passar dos séculos por meio de um intercâmbio musical, consciente ou inconsciente - quanto à influência de seus compositores eruditos e países de origem sobre a ópera e seus cantores - suas particularidades e modo de emitir a voz, provocando assim, também uma alteração nos métodos de ensino de canto.

E, sobre o olhar dos compositores - OS GRANDES CLÁSSICOS?
Os compositores do século XVII e XVIII que firmaram e fixaram as bases das formas musicais, desenvolveram a estrutura da orquestra e sobressaíram como virtuoses nos seus instrumentos, são considerados os grandes clássicos. Podem ser agrupados também, em três Escolas fundamentais: Escola italiana – que cultivou principalmente o bel-canto, com melodias amplas e atraentes. Escola francesa – onde se sente à elegância e finura de um estilo, cheio de expressão. Por última, a Escola alemã – que se ampliou à música filosófica, onde ressalta a austeridade da forma e o perfeito equilíbrio das construções (Segundo escreveu Maria Luisa de Mattos Priolli. Princípios Básicos da Música para a Juventude- 2º volume 27ª ed. Revista e atualizada - ano 2005, In: Os grandes Clássicos, p139;).

E, sobre a voz dos cantores líricos - OS GRANDES TENORES?
Segundo Revista Bravo! (o melhor da cultura em março 2007), da Editora Abril, (As Principais Características dos Tenores, p.71), no mundo esquemático da ópera italiana o argumento básico é, como já se escreveu, (apontou a revista), que: tenor quer se casar com soprano, e barítono quer impedir.

E segue, advertindo: nesse tipo de repertório, ao ir a um teatro de ópera você tem 90% de chances de ver o tenor fazendo o papel do “mocinho”, do herói romântico. Também, "no palco, eles são aqueles que sempre querem se casar com a 'mocinha' ”. Iniciou-se com tal especulação, a Revista.

Ressaltou-se ainda sobre tal registro vocal, a consolidação e a transformação em uma convenção ao longo do século XIX, quando impõe uma série de condições aos intérpretes desse tipo de papel. Como? Dando exemplos mais ainda, a revista do século XXI, denominou de fetiches;

esses tenores costumam ter de cantar seu amor pela soprano em árias e duetos veementes (...) expressividade e eloqüência, esses cantores precisam ter muita atenção e elementos como o “legato” – termo que designa notas suavemente ligada, sem interrupção perceptível no som.

Outro fetichismo convencional dos tenores líricos destacado, é o chamado “dor de peito” (trata-se de uma nota bem aguda, um dó que os compositores costumam escrever no final das árias, como momento culminante das mesmas). E, até o século XIX os tenores conseguiam cantar esse dó, mas não com a chamada “voz plena” - a nota só era emitida em falsete. Logo, com o surgimento de tenores que não precisavam mais recorrer ao falsete levou os compositores do Romantismo a explorar esse recurso, sempre efetivo e popular entre o público. Finalizou a Revista, sobre tal assunto.
Retomando ao passado, outrora às citações do livro – ABC para Cantores e Oradores e Locutores – (capítulo: A Época do “Bel-Canto”, p.155; p.160) nos revela o seguinte: (...) Florença tornou-se, no fim do século XVI, o berço de uma nova arte: a ópera. Caccine tornou-se o pai do “bel-canto”. Suas regras para o canto são estabelecidas segundo o grego Platão, da seguinte maneira: em primeiro lugar a dicção, isto é: a palavra; em segundo, o ritmo, e, em terceiro, o som - isto é a melodia.

No livro a própria autora e professora Sinnek, adverte e indaga: Mas, isso foi a teoria, e na prática? Predomina a palavra ou a melodia cantada? Ela segue seu pensamento, dizendo que cada época teve de resolver este problema - um conflito máximo na arte vocal, perante estilos vigentes. Ora predominava a palavra, outrora a melodia.

Percebe-se também que, com o desenvolvimento do canto francês, acompanhado harmonicamente pelos instrumentos e finalmente pelas grandes orquestras, forma esta mais divulgada no drama musical, isto é, a ópera, o ritmo da música já não segue idêntico ao ritmo da palavra; a frase musical desenvolve-se diferente da frase oral. Em conseqüência, já não é a palavra que fala por si, perdendo de novo seu predomínio nesta união, mas de um modo diferente do que ocorre na polifonia. Não é mais a palavra que fala, mas o sentido da palavra, da frase, que fica expresso por meio de intervalos melódicos, de ritmos, de harmonia e de timbre.
No entanto, no canto italiano, o presente método se revela por meio da: respiração, do apoio, da colocação e da articulação do som/palavra. Permanecendo a voz cantada na posição vertical.

Já Lilli Lehmann (grande cantora e professora), segundo Sinnek, (que dedicou um capítulo de seu livro (pp.13-14) aqui abordado), para Lilli Lehmann, finalizando este trabalho de pesquisa, escreveu assim: A ela é devida a fusão dos três métodos nacionais: italiano, francês e alemão, em um método universal. Reuniu a essência de suas observações numa frase do livro de Lilli Lehmann: “Tomemos dos italianos a ligação perfeita, dos franceses a ressonância nasal e dos alemães a consciência e a dicção exata das palavras, e teremos a combinação certa para a emissão perfeita da voz”.

Conseqüências: escolas de canto baseadas em qualquer sentido de nacionalismo não servem mais. O que vale é pertencer a uma Escola de Canto internacional, ou seja, de caráter e características universais.

Referências bibliográficas:

ABC para Cantores e Oradores e Locutores, de Hilde Sinnek. Ricordi, São Paulo: 1955, p.194.

Princípios Básicos da Música para a Juventude, de Maria Luisa de Mattos Priolli.- 2º volume 27ª ed. revista e atualizada. Editora Casa Oliveira de Músicas LTDA, Rio de Janeiro - RJ: 2005, p.144.

Revista Bravo! – nº. 115 (o melhor da cultura em março 2007), Editora Abril, p.114.

Lúcio José de Azevêdo Lucena (Lúcio Leonn)
Ator/Prof. Esp. em Arte & Educação