quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Performance - A pergunta nos foi lançada: o que pode nos mover e mover a performance?

“Living is a form not being sure, not knowing what is next or how. The moment you know how, you begin to die a little. The artist never entirely knows, we guess. We may be wrong, but we take leap after leap in the dark¹.” – Agnes de Mille.
[Fotos / Copyright by Lúcio Leonn®] - proibida reprodução. Imagens captadas sem flash-fotocelular mega pixels: f=45mm1:2.6].2007.
“Só podemos esquecer o tempo fazendo uso dele.” (Karsten Harries)

Tal pergunta inicial nos coloca a par de entender e indagar, também, na integra, o que seria movimento e performance? Por outro lado, definir “performance” torna-se indizível.
A meu entender, o que nos move e pode mover a performance, corresponde ao campo da experiência pessoal, profissional e organizacional do corpo de artista, em Vida e na Arte. É algo que toca na alma profunda do intérprete performático. Figuras, como: Marina Abramovic: (http://www.youtube.com/watch?v=vDg_KWJh1g8), Sam Hsieh: (http://www.youtube.com/watch?v=1hcqweHEWec), para citar alguns, vão além do limite vital (e, conscientes de seus atos, afetos e valores) para adentrar na arte ou, sair-se dela, com objetivo claro e marca maior de\em suas performances.
Cada ato desses artistas supracitados, busca “definir”, por meio de ações artísticas, a fruição do próprio corpo, como objeto de execução-elemento de reflexão e de mobilização da performance para um pensamento de construção estética, de inovação.
Reflito que, o movimento performático é de estado de alteridade e de corpo alterado de sentidos (dimensão estética). Há eloquência experimentais de tempo e sucessão de ideias em espaço de ação física e cognitiva. Por fim, retomo à questão: pode-se definir performance?
“Além do movimento dos corpos no espaço, há o movimento do espaço nos corpos.” Já dizia, Rudolf von Laban.
É muito mais que isso! Viver as circunstâncias dadas pelo meio social, onde resulta encontrar suas intercessões de sujeito proativo, via objeto artístico. Assim, o público reconhece nas performances – identidade artística de tal intérprete. E, não, meramente, algo de contemplação ou dentro de uma zona inativa.


Bem, a fim de, no final do Módulo-Curso Dança e Pensamento, de compor impressões minhas a cerca do fenômeno “performance”; transcrevo abaixo, a partir também, da escuta, adaptações e compreensão teórica e de escrita, depoimentos (citação oral) dos alunos cursistas, quando estimulados pela professora e atriz Eleonora Fabião, responderam o que poderia ser performance (uma definição).
Veja.

“Performance” é...


“O espaço infinito é dotado de qualidade infinita.” (Giordano Bruno)

... um estalo.
“... uma verdade.”
“... uma inter(ação) -movimento.”

“... um cotidiano de vida.”
“... estar parado.”
“... hic et nunc (aqui agora)-questiona.”

“... organização.”
“... estética fora do palco.”
“... interação espacial e temporal.”
“Performance” é...
“... ato (ação).”
“... ato total- aqui e agora.”
“... um acontecimento- evento.”
“... um ator em desenvolvimento,(devir).”
“... um acontecimento que impressiona pelos órgãos da visão, (atrai o olhar).”
“... viva e dialógica.”


“A performance is a flow, which has a rising and a falling curve.” (Peter Brook)
“... como contar/desvelar uma (es)história. (Minha presença.”
“... diálogo cênico. Algo latente. O quê pode se diferente, (pelo olhar do público e visão do artista.).”
“... um pensamento/sentimento/ corpo.”
“... um fenômeno biológico: nascer-viver-morrer.”

“... um momento inusitado!”
“Performance” é...“... uma ação; ser presente.”
“... ambiência de um ser íntegro e de presença constante.”
“... uma canção da presença – habitar – compartilhar e (con)viver juntos (estar presente).”
“... manifestação inesperada num contexto de linguagem quando tem corpo e o não-significar.”
“...interferência, mesmo que (i)móvel e /ou silenciosa.”
“... estado de espírito – Relação corporal
de outrora, espaço espiritual.”

“Performance” é...“... representação.”
“... uma palavra do fazer – performar.”
“... algo inaugural(out/in – fora do cotidiano.).”
“... o corpo como discurso – corpo vídeo e orgânico;(ser/biológico”

Conclusão do texto escrito acima, todas as citações vão ao encontro do pensamento confluente da Professora e atriz Eleonora Fabião, (mencionados, durante a 1 aula, em 06/07.):
“A (in)definição da Performance é (in)dizível.”
No entanto, a performance procura estabelecer, como ressaltou, Fabião, um Programa com diálogos pertinentes e ideológicos; prazo de ação a longo e de curta duração(tempo). Também, percebo as experiencias múltiplas e de interfaces artísticas. Ela vai além da (in)finitude de corpos e da arte-vida, ou o contrário. Conoto uma ação em espaço transitório e de ideia de pertencimento ético.
Sigo agora, para uma breve discussão a cerca do Texto, de Regina Melim.
O Encontro com o Texto de Regina Melim: “Trajetória” - “No Brasil” - “Espaços de Performações.” (In: Performance nas artes visuais, (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.).
Gostaria de ressaltar, em seu texto, diz respeito somente a trajetória da performance em subtópico, intitulado, "No Brasil.”

[Fotos / Copyright by Lúcio Leonn®] - proibida reprodução. Imagens captadas sem flash-fotocelular mega pixels: f=45mm1:2.6].2007.

É como o próprio texto nos informa que, o experimento performático deu-se no eixo artístico das artes plásticas (cultura visual). Vejamos:
“No Brasil, traçar uma trajetória da performance nas artes visuais passa muitas vezes por delimitá-la no interior desse campo de resistência e sobrevivência, sobretudo nos anos 1960 e 1970.” (pp.21-22).
Então, avalio que, a performance nesse percurso agregava também, os elementos constitutivos da linguagem artística indicada, como: linha, forma e cor.
Tal pensamento meu, converge pelo fato do modelo padrão e vigente do que seria (o conceito de) Arte, na época. Ou melhor, hoje é falar de resquícios artísticos, do período greco-romano.
Posso contextualizar a Arte, de mobilização de ideias, artistas e grupos organizados em espaços – cada vez mais, emancipatórios.

Da arte, de artista, saiu da moldura paisagem (bidimensionalidade) para encontrar um outro sentido de fazer arte e do conhecer outra forma de objeto de arte em interferência com o Meio. E, como exemplo, um encontro talvez, da própria arte e de ser-artista junto ao seu público, em espaços alternativos e menos repressores (exposição / museus / quadros etc.), è a busca de liberdade estética. Logo, a Performance apresenta-se, livre de: captação e recep ção, feituras de tradição artísticas.

E, para finalizar essa atividade, a arte da performance encontra-se nas inquietações e gestos inusitados do artista. De sua visão de performar, além da linha do horizonte e do abismo social. Sua arte revela uma transgressão. Uma estética que sempre nos pergunta em respostas de nossa própria subjetividade; mas, o que é Performance, em ação?
Vide video também e leia outro texto sobre:


Performance: O quê move o corpo (?). 1, 2, 3... Série... (Síntese)


Performance : O quê move o corpo (?). 1, 2, 3...
Parte 1: Barbear_dor
Parte 2: Trans_maker

Parte 3: Privado_a.
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Notas de Tradução livre,(Lúcio Leonn):


BROOK, Peter. “O espetáculo é um fluxo que tem uma curva ascendente e descendente.”

MILLE, Agnes de. "Viver é uma forma de não estar seguro, de não saber o que está próximo ou como. O momento que você sabe como, você começa a morrer um pouco. O artista nunca sabe perfeitamente, nós supomos. Podemos estar errados, mas nós ganhamos um salto após outro no escuro".

Fontes Consultadas
(citações corpo do Texto):
¹BOGART, Anne and Tina Landau. The Viewpoints Book: A Pratical Guide do Viewpoints and Composition. Theatre Communications Group. New York, NY.- 1st edition (November, 2005), 4th printing, November, 2007.

LIGNELLI, César. PACHECO, Sulian Vieira. Módulo 07: Laboratório de Teatro 1. Brasília: Athalaia-Gráfica e Editora. Universidade de Brasília (UnB). Curso de Licenciatura em Teatro. Instituto de Arte (IdA): 2009
Atividade de Conclusão-Módulo: Performance, ministrado pela atriz e professora Eleonora Fabião, de 06 a 11 de julho. Curso de Extensão Dança e Pensamento. Aluno Lúcio José de Azevêdo Lucena-Lúcio Leonn. Escola de Dança da Vila das Artes/Secultfor, parceria Universidade Federal do Ceará (UFC).
***
Figuras, como: Marina Abramovic: (http://www.youtube.com/watch?v=vDg_KWJh1g8), Sam Hsieh: (http://www.youtube.com/watch?v=1hcqweHEWec),


Sam Hsieh


Leia , também:

-Ensaio


Operador de radicalização
Experiência artística de grande vínculo com as estratégias de vida, a performance desafia conceitos enquanto se reinventa
Christine Greiner e Pablo Assumpção
especial para O POVO
02 Janeiro de 2010 - 13h56min
Em um sentido amplo, o que se chama de performance não é um fenômeno novo. A ação corporal é possivelmente uma das formas mais antigas de expressão humana. Mas quando ela surge como gênero artístico autônomo, principalmente no contexto das artes visuais no século XX, passa a introduzir algumas possibilidades de modelos formais e conceituais relativamente novos no que diz respeito à ontologia clássica da obra de arte. A ruptura mais radical dessa nova arte seria a ideia de ``ação`` como obra-em-si, ou seja, a efemeridade como um aspecto formal da obra de arte. Em decorrência dessa mudança, há transformações importantes relativas à noção de treinamento e aos procedimentos de criação. Treinar para uma performance é treinar para a vida; criar uma performance é criar uma estratégia de vida.

Mas quando a performance propõe que a materialização da obra se dá no desaparecimento da mesma, a sua importância se desdobra, uma vez que instaura questionamentos não apenas em relação à ontologia da arte, mas à ontologia em si & aquele braço da filosofia que se ocupa em definir ``o ser das coisas``. Ao evidenciar a temporalidade-desaparecimento da obra de arte, a performance opera uma espécie de cesura, ou choque, na própria subjetividade. Ao imitar a própria vida, em seu surgimento e desaparição, a performance organiza uma espécie de ensaio para a morte & das coisas, do espectador e dela mesma. O teatro e a dança moderna tentaram remediar este choque, respectivamente com a prática da repetição e com a referência ao texto inaugural & a peça ou coreografia escrita, fixada no papel. Já a arte de performance sempre rejeitou qualquer noção relacionada a um suposto texto inaugural ou ensaio de vocabulários de movimento, jogando-se no abismo do improviso e sem oferecer nada em troca, salvo uma experiência fugaz. Neste sentido, a performance sempre esteve conectada às discussões da chamada ``produção imaterial``, instaurando paradigmas de imunização contra ``resultados finais`` e ``produtos``.

Tradicionalmente acostumado a uma obra de arte mais ou menos perene, uma vez que ainda apresentava algum tipo de produto artístico a ser consumido, o espectador também foi mudado de lugar e obrigado a vislumbrar a sua própria efemeridade. Percebendo-se sem um ``objeto`` palpável capaz de reassegurar sua fantasia do ``ser`` como algo que ``é``, o sujeito realiza algo próximo à noção filosófica de ``vazio`` proposta por Heidegger: o ``ser`` não como algo que ``é``, mas como algo que se ``move`` o tempo todo. Tal é a potência de perplexidade da arte de performance. A teórica Peggy Phelan sugere que da ansiedade psíquica gerada nesse choque talvez tenha emergido grande parte do conservadorismo da crítica e da resistência à performance como linguagem artística legítima. Curiosamente, no Brasil, muitas vezes a performance foi descartada como ``vazia``.

Principalmente desde os anos 1950, portanto, a performance tem operado uma radicalização na arte e na vida. Propomos pensar a performance hoje como um operador de radicalização de modo a mudar o foco das discussões tradicionais: da preocupação em defini-la para a preocupação em mapear seus impactos e mediações. A velha questão ``o que é performance`` dá lugar à outra: ``o que pode a performance``? Tal deslocamento reflete uma postura crítica análoga à proposição de Jesus Martin-Barbero de que teorizar comunicação é teorizar mediações, e não mídias. Pensar ``mediação`` é sempre pensar o ``ser`` da comunicação como movimento.

Isso porque, tão logo a performance explodiu no campo das artes plásticas, ela passou a ativar mediações que extrapolaram o próprio campo das artes visuais. A ruptura engendrada pela noção de ``processo`` em detrimento de ``produto``; o jogo dramatúrgico perigoso que a performance propôs ao acolher o acaso como elemento formal da obra; a reconfiguração da noção de autoria, agora necessariamente incluindo o espectador e muitas vezes o próprio espaço onde a ação se dá; o borramento total entre arte e vida na prática de alguns artistas, que por sua vez propõe um borramento total entre subjetividade e objetividade, sujeito e objeto na obra de arte & assim como todas as operações formais e conceituais, intimamente ligadas à emergência da performance como gênero artístico, passaram a organizar outras formas de expressão artística, no campo do cinema, da dança, da literatura.

Como um operador de radicalização, a performance deixa de estar restrita às artes visuais e invade a vida e a sensibilidade da arte contemporânea em geral. Hoje, mais de 50 anos depois dos primeiros happenings de Allan Kaprow, a performance precisa ser adequadamente assegurada como um dispositivo crítico de leitura: da arte, da cultura, do poder, da política e da história.

Assim como todos os fenômenos que duram no tempo, a performance também entrou definitivamente para o vocabulário da cultura contemporânea e passou a sofrer de todas as patologias que envolvem este transporte do underground para a rede midiática. Performance virou moda e chavão. ``Todo mundo`` fala de performance ou faz performance. Tal ubiquidade traz consigo o esgarçamento da potência de radicalização que & possivelmente desde os ditirambos dionisíacos & anima o evento singular da performance em sua capacidade de choque celebratório.

Uma das estratégias de resistência a este esgarçamento é exatamente compreender a arte de performance como experiência historicamente significativa, em seu contexto específico, e daí mapear sua trajetória e migração para outros contextos (culturais, geográficos, políticos, artísticos) como dispositivo de leitura capaz de ativar mediações e sensibilidades. No caso de uma discussão mais aprofundada sobre performance no Ceará, isto significa um movimento em vórtex: desenvolver uma visão verdadeiramente crítica dos procedimentos de criação performativa que desde ``as antigas`` organiza as práticas culturais daqui; e ao mesmo tempo uma visão não-xenofóbica do modo como a arte contemporânea local se apropria dos procedimentos artísticos euro-americanos, canibalizando-os de modo a gerar maior autonomia local. O Ceará é um território privilegiado para o estudo da performance como operador de radicalização & seja na arte popular e no design vernalucar do sertanejo, no messianismo profetizado pela poesia oral e ordens religiosas não-oficiais, e também nas experiências urbanas de ruptura estética com esta mesma tradição popular que lê e representa o mundo a partir da ancestralidade.

>> CHRISTINE GREINER é teórica da dança e da cultura, curadora e professora dos departamentos de Comunicação e Semiótica e Comunicação e Artes do Corpo da PUC-SP.

>> PABLO ASSUMPÇÃO é artista de performance e pesquisador, doutorando em Estudos da Performance pela Universidade de Nova York (NYU).

Fonte: http://opovo.uol.com.br/opovo/vidaearte/941581.html

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Entrevista

Conceito e limite

Performance é um conceito difícil de definir. A professora e pesquisadora Ivani Santana, no entanto, aponta caminhos para se chegar a uma resposta. Ou várias
02 Janeiro de 2010 - 13h56min
A experiência através do corpo. Não seriam assim todas as experiências? A performance, um dos conceitos mais elásticos da arte contemporânea, chega a confundir o expectador por ser, justamente, uma forma ampla do fazer artístico e poético. O que seria performance? Para Wellington Jr, artista e professor do curso de Comunicação Social da UFC, a pergunta está deslocada: ``O problema não é mais conceituar a performance, mas conceituar corpo. O que é corpo?``. Para outros pesquisadores, como Pablo Assumpção e Christine Greiner, a questão seria: ``O que pode a performance?``.

Para Ivani Santana, professora da Universidade Federal da Bahia, coordenadora do grupo de pesquisa poética tecnológica na dança (www.poeticatecnologica.ufba.br), e do M.A.P.A. D2 (www.mapad2.ufba.br), essa pergunta é ainda importante. O que é performance? E a pergunta pode ter muitas respostas. Na entrevista a seguir, ela aponta caminhos. ``A performance, por princípio, é algo que trata do entorno do artista, das questões que o afetam (lembrando mais uma vez do manifesto e do ato artístico)``. (Júlia Lopes)

O POVO - Atualmente, se entende que a principal questão para a performance não é a sua conceituação, mas a formulação de outras perguntas & sobre e/ou a partir dela. Para você, qual poderia ser a pergunta inicial para quem quer se debruçar sobre a performance? Por quê?
Ivani Santana - Não concordo que a questão do conceito não seja mais a questão principal na concepção de uma performance. Bem como acredito que a questão do conceito é praticamente a base da arte contemporânea. A performance nasceu do manifesto, do ato, da ação artística, e hoje, na contemporaneidade, o conceito como estratégia para provocação, reflexão, questionamento, é, para mim, o ponto principal de estruturação de uma configuração artística.

OP - Como pesquisadora, muita produção deve chegar a você, ou você a ela. O que se pode dizer de um panorama nacional sobre a produção na área? O que tem mobilizado o brasileiro a fazer performance?
Ivani - Acredito que sejam vários os fatores. Entretanto, não vejo uma produção efetiva em todas as regiões do País. Carecemos, no Brasil, de festivais, pesquisa, bibliografia, produções e estudos específicos sobre esse campo.

OP - O que se pode dizer do nordestino? Há uma proximidade de proposições e perguntas?
Ivani - A performance, por princípio, é algo que trata do entorno do artista, das questões que o afetam (lembrando mais uma vez do manifesto e do ato artístico). Na verdade, qualquer arte acredito que seja assim, mas, no caso da performance a relação é mais acentuada, está em sua base.

OP - Continuando sobre as questões fundamentais sobre a performance, fica a dúvida de como situar a prática ao lado de conceitos como happening e intervenção. Quais são as fronteiras? Ou ainda: qual o peso dessas fronteiras?
Ivani - Não há essa separação entre conceito e prática, pois justamente a performance é esse conceito colocado na prática, por assim dizer. Happening é uma configuração artística datada. A intervenção não necessariamente é uma performance, mas carrega um aspecto performativo.

OP - Em suas pesquisas, tecnologia e dança são conceitos chaves. Como você entende o entrecruzamento entre os dois? Já li que você entende os dois como um terceiro elemento. Como é isso?
Ivani - A dança ganha novas (ou outras) possibilidades de configurações quando mediada pelas novas tecnologias. Na minha pesquisa, o que considero importante é compreender a tecnologia não apenas como o uso de dispositivos e artefatos tecnológicos, mas como uma outra forma de pensamento e organização. Sendo assim, é possível encontrar, por exemplo, um espetáculo de dança que não se utiliza de nenhum artefato tecnológico, mas que carrega os conceitos e fundamentação da Cultura Digital de forma mais efetiva do que uma obra que apresente a tecnologia apenas como uma ferramenta para produção de efeitos ou ilustrações.

OP - Como a tecnologia pode nos aproximar do corpo, ou auxiliar numa investigação sobre o corpo?
Ivani - Hoje, todo o conhecimento, cada vez mais amplo e abrangente sobre o corpo, é fornecido pelas novas possibilidades tecnológicas. A área médica é um exemplo fascinante: podemos conhecer partes do corpo graças aos inventos da Cultura Digital. Agora podemos explorar o corpo, realizar intrusões com o corpo vivo aproximando-nos cada vez mais de como existimos e do que somos. São essas informações, pesquisas, estudos que proporcionam o que hoje podemos compreender como corpo. Da engenharia genética às explorações imagéticas artísticas, passamos a compreender, refletir, questionar uma nova ideia de corpo, de indivíduo, de mundo e, ainda, a implicação entre esses.

OP - Vídeo, fotografia, projeções, tecnologia, enfim... A performance se liga a todos esses meios e não se prende a nenhum deles. Mas é possível performance sem corpo?
Ivani - Depende do que você compreende como corpo hoje! O corpo sintético, produzido (por simulação ou digitalização) também significa uma possibilidade de corpo contemporâneo. Na Cultura Digital não apenas a performance ganha novos entendimentos e configurações, o corpo também, assim como qualquer coisa do nosso mundo que pertence ao processo continuo da evolução, que não significa progresso, mas transformação.

OP - E sem expectador?
Ivani - Idem. Temos que repensar sobre esses conceitos ligados a uma sociedade do espetáculo não mais condizente com o mundo da cultura digital. Para fazermos nossas inferências sobre a atualidade devemos utilizar conceitos do mundo que vivemos. É preciso compreender nossa cultura atual e, então, rever quais as perguntas são pertinentes ao que vivemos hoje.

OP - Nas leituras que fiz, me pareceu que a performance também caminha na contramão da linearidade, da narrativa. Ela trabalha na direção dos múltiplos significados, no sentido hipertextual. Como a performance trabalha com isso?
Ivani - Na sua própria forma de concepção e estrutura. A performance já surgiu em um mundo que começava a compreender tempo e espaço de uma outra forma. Alcançamos hoje mudanças radicais em que presença e ausência, próximo e distante, local e global, interior e exterior, apenas para citar alguns binômios, são colocados em cheque com a existência da Internet. Linearidade já não é a única forma de compreender e tratar do mundo que vivemos. Como afirmado antes, a arte trata do mundo que a cerca.

E-Mais
É a partir da segunda metade do século passado que a performance começa a se desenvolver como gênero – muito embora alguns pesquisadores prefiram remeter as origens da performance nos movimentos de vanguarda (dadaísmo, surrealismo). Outros acreditam que ela é tão antiga quanto os rituais.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

10 questões- relacionadas às origens do Teatro e a suas transformações até a Idade Média.


POR LUCIO JOSE DE AZEVEDO LUCENA

Não precisa responder às perguntas, é só lê-las.
1. Por que só agora em pleno século XXI , é que, nós povos ocidentais, devemos perceber que o Teatro é visão multiculturalista e, sobre sua origem e verdade histórica, não se deve proceder somente à total perspectiva de visão greco-romana?

2. Até que ponto os estudos de teóricos ocidentais e a ideia do mito sobre o deus Dionísio e as transformações do Teatro hoje, vêm contribuir sob foco, análise e descaso em bancos escolares, sobre a verdadeira História do Teatro Universal?

3. “O contexto do drama ritual é uma totalidade cósmica, um espaço sígnico global que envolve os seres humanos e os deuses”. Então, por que “Drama e Ritual” se confundem no continente Africano?

4. Segundo Aristóteles, ”A Comédia Antiga era improvisada e vinha dos cantos fálicos”. Partindo de tal princípio; que dimensão artística ou mesmo, contribuição sócia-política ou  querer questionar contravalores (sob a égide e olhar em nome do preconceito, da discriminação, da Arte e de seus artistas; de tabus), hoje teríamos e exigiríamos, em sociedade contemporânea que se diz, plural ao mesmo tempo excludente?

5. Que pressupostos teóricos e filosóficos ou mesmo escolares, em plena época ateniense, o dramaturgo Ésquilo se baseara ao acreditar que o autor de drama (teatro), antes de tudo tinha de ser um educador? 

6. Percebe-se quase a total exclusão e a ausência (do gênero feminino) na dramaturgia grega. Não se segue sua atuação ativa em tais períodos históricos e estilos do gênero literário, aqui em estudos. Pergunto: como seria sua presença histórica e dramatúgica na escrita teatral e universal, desde a origem (a Temas em questões de assuntos evocado por elas), às transformações do Teatro e até a Idade Média?

7.“A tragédia é, então, a representação do castigo pelo cometimento de algum excesso por parte dos comuns dos mortais.” É possível, hoje acreditarmos e tomarmos partidos em nossa atual conjuntura sociológica e de estilo de vida, caso, desviarmos do “Bem”, a seguir para ter “fé” no real conceito das palavras acima ou, se aplica a serviço do estado e de conduta humana da era ateniense?

8. Se o Teatro sempre teve um caráter transgressor e sincretização junto ao rito, a se manifestar também, em diversos estilos e períodos históricos da época vigente. Pergunto: por que, a partir de alguns ritos veio desabrochar a idéia da morte (finitude) no homem?

9. Por que na história da dramaturgia grega ao mesmo tempo universal, sem querer ser pejorativo, apenas aludir, dão viva, vez e voz aos grandes trágicos (Sófocles, Ésquilo e Eurípides) e percebem outros dramaturgos menores, sem evidenciá-los entre nós suas obras e estilos?

10.Por que a tradição dos estudos teatrais no ocidente, há tempos desconhecem a origem e as manifestações teatrais no/do Egito Antigo?

O espaço de atuação determina o modo de como pensamos o Teatro;Sobre o pensamento do ator - suas implicações corporais no espaço;

Além de, breves atribuições e implicações do corpo de intérprete em espaço de cenas

"O artista a cada novo trabalho, refaz, sempre, a maior de todas as jornadas míticas: a jornada do herói, p.19."(Lúcio Leonn apud Antunes Filho. In: Criação no CPT - Antunes Filho.). "Prêt-à-porter 1, 2, 3, 4, 5..." Segundo,RICARDO MUNIZ FERNANDES (ORG.), 2004.

O espaço de atuação determina o modo de como pensamos o Teatro
Sim; a partir do texto, do ator e de seus demais elementos constituintes, como: a prática e articulação do pensamento técnico e criativo em mobilizar ações e do eixo de estratégias de idéias, via elemento da cenografia, da iluminação, de sonoplastia, etc., consubstancia toda cena; para exemplificar de início, alguns conceitos determinantes, de mutação da cena teatral hoje.


Cena do espetáculo "Narração da Viagem pela Província do Ceará"- Reinauguração do Theatro José de Alencar(1991)-direção Aderbal Freire Filho. Figurinos Lino Villaventura (foto) acervo pessoal de lúcio leonn.

Por outro lado, também, posso determinar o espaço de atuação por meio da concepção do espetáculo pelo encenador, do gênero e de obra dramatúrgica.

Por outro, via elemento musical que aproxima ou distancia o tempo da performance e, da Luz, que vislumbra a atmosfera da peça; da interpretação em transição espacial que, A. Appia aponta - a encenação em “espaços rítmicos” ou de “espaço vivo.”

Por fim, a localização do espaço cênico determina a ação dramática da peça e toda demanda corporal, do sistema teatral em espaço de produção, de representação e recepção de cenas.

Sobre o pensamento do ator - suas implicações corporais no espaço

Da Iluminação sobre a face ou corpo inteiro do ator/atriz - de seu direcionamento em cena; pede um Corpo em conjunto com toda a cena acústica e visual;

Das ações do pensamento em Movimento pelo corpo (marcações de cenas) em entrada/saída e permanência de corpo em cenas e no palco; unifica e harmoniza a peça, torna-se uníssono, o campo de apreciação teatral;


(Imagem pessoal, lúcio leonn): "Arquétipo do PENSADOR". "A Caminho da Tarde"-Proposição em Monoexercício Teatral (inédito). Texto original de Thalles Lucena. Pesquisa/adaptação/concepção/ interpretação e condução de cenas, por Lúcio Leonn. Teatro Universitário Sala anexa-agosto/o9.

Do uso de Figurino implica um pensar e articular o corpo de intérprete para tornar vivo o espaço físico, de ocorrências dos personagens em ação dramática;

Da disposição do Cenário sintetiza o sistema de atuação e de dispositivos técnicos; da performance; bem como, evidencia a situação dramática e da Encenação para a platéia.

Do Movimento Musical, em ação junto à atuação como parte abstrata e corporal de espaço acústico e físico, modifica/acrescenta e sustenta o tempo de interpretação ou permite causar ilusão ou simbologia de ambiente real/virtual.

Portanto, da Maquilagem, os gestos e os diálogos dramáticos conduzidos por um personagem-ator, implicam um conhecimento e de ação em contexto com a encenação levantada antes, em espaço teatral e em território real de ocupação.

Breves atribuições e implicações do corpo de intérprete em espaço de cenasEm Brecht, o ator-épico se revela e se conduz em cena como estrato social; é narrador/testemunha e causador dum “espaço não-ilusionista”.

Por outro lado, Stanislavski, determina um “espaço de verdade”, pela “fé cênica” e das ações físicas (antes testadas pelos atores, em ensaios e, durante atuação/platéia.).

Por outro, “a noção de corpo como lugar nos aproxima assim das contingências históricas em que se dão os corpos dos atores”. E, “[...] a idéia do ‘ator santo’ formulada por Grotowski, na qual o corpo do ator é considerado como um receptáculo para o personagem[...]” (In: Do corpo como instrumento ao corpo como lugar”, de Sulian Vieira, 2007.)

O encenador Peter Brook, determina “um espaço vazio” a ser preenchido, por um corpo/movimento, neste caso, o do ator.

Das breves atribuições e implicações do corpo de intérprete em espaço de cenas supracitado, suas consequências para a construção de cena, resultam num movimento estético e de conotação de obra criada (diálogos coerentes com a Encenação).

Entretanto, quando não se tratar de um encenador não só de renome, o público também, pode se perder no campo auditivo (projeção e articulação da voz; som em demasia etc.), isto é, se não haver consonâncias e de procedência de tais elementos visuais ou acústicos articulados, em consequência do fenômeno da atuação, - o tempo de recepção; se acelera, modifica, interfere - causa tempestade no tempo real da performance. Ocorre a não-comunicação.

“(...) Ricardo Guilherme (...) Chama pra si a responsabilidade do espetáculo e divide bem o palco com Lúcio Leon(n) - outro ator detalhista e precioso - que encarna o coronel Puxavante”. Jornal O Povo-Coluna Das Antigas-Demitri Túlio 05/08/2006 (foto)espetaculo "O Casamento da Peraldiana" de Carlos Câmara.

A dinâmica visual complementa os componentes inerentes ao sistema teatral (figurino, cenografia etc.) e transposto o expectador para um “mundo simbólico” da personagem e da ação dramática da peça, (no dizer de A. Appia); a encenação se perpetua aos nossos olhos, ouvidos ou pele.

Do uso do recurso iluminação, torna-se a “alma” do espetáculo; pontua as cenas; as ações físicas ou psicológicas do ator-personagem. Logo, ao público gera conseqüências de intimidades; de causar impacto ou impressão pelo teor do conjunto teatral e todo obra cênica vivificada.

Penso que, por meio de aspectos considerados mais técnicos no começar do Curso/Módulo; minha reflexão segue para um olhar mais sistematizado, de reorganizar e perceber a Cena hoje. Antes, no passado, havia o fazer teatral pelo pensamento empírico e criativo. E, como resultado, o espaço limitado de tempo e de cenas, sem devida prontidão.

O uso da pintura (bidimensionalidade), como elemento da cenografia, a figura do não-encenador; a iluminação precária da época; são elementos do Teatro que estão mais dinamizados que, anteriormente. Implica cada vez mais a operacionalização e de interfaces de cenas, com a criação, no campo do inusitado, em atribuir para encenações, o mundo virtual e presencial de ideias e sensações do momento. De tal concepção do encenador, em conjunto elementar com o discurso teatral.

Para conclusão, antes de entrar em cena, o corpo de ator é a primeira morada do ser pessoa; ator-personagem que mobiliza ações físicas e orgânicas do personagem; antes-durante, e depois de testes em espaço de criação/recepção e de sistematização em corpos de intérpretes (Instrumentalização). É lugar quando se dá a permissão; a vontade do devir. O corpo ocupa não só dimensão estética de vislumbramento visual, mas de movimento acústicos de sentidos de correlacionar: pensamento-corpo-ação-cenas.

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Stanislavski versus Meyerhold: encontros e desencontros dum teatro em movimento possível

Por Lúcio José de Azevêdo Lucena

De como a proposta de Meyerhold revisa as pesquisas de Stanislávski. A demanda pela teatralidade passa pelo enfrentamento dos limites do realismo cênico presente na primeira fase do Teatro de Arte de Moscou. Veja como em seus textos Meyerhold estabelece um debate com as idéias e práticas de Stanislávski. Esse debate determinou a busca de uma nova maneira de se fazer teatro. (Imagens de reprodução)

Stanislavski versus Meyerhold: encontros e desencontros dum teatro em movimento possível

A cena teatral nunca se faz ou fizeram-na por completa no sentido teatral. Porque surgem novas descobertas e relatos de protagonista da verdadeira história. Assim, abaixo, procuraremos perceber as muitas contribuições do mestre das ações físicas em decorrência de estudos da biomecânica, do segundo mestre, Meyerhold.

Começo, com transcrição via fórum:

“Em comparação com o Mestre e de diferenças possíveis; Meyerhold buscou encontrar pela biomecânica (estudos da neurociência e ciências cognitivas) um corpo de intérprete pensante e que articula ações físicas de movimentos, “fora de um eixo vertical subjetivo” - centrado não mais: no "eu-stanislavskiniano" (mundo interior); mas um corpo em trabalho com a mente, de percepção à ação/ “de conhecer a linguagem corporal” ; “um corpo na vertical terrestre”, em “linha reta”. Divergindo dum “teatro naturalista”. Assim, Meyerhold, reorganizou um corpo de ator para ser “compositor de si mesmo” (que, Silvia nos re-sinaliza) de desestabilizar a platéia pela plasticidade de movimentos em ritmo,melodia e harmonia (música).
Portanto, a partir do segundo Mestre, o ator passa a sistematizar um estudo de corpo em âmbitos (“treinamento” indicado por Vanderli), pelo conhecer (-mente-em espaço de trabalho (ofício-intenção-ideias em elementos constitutivos do corpo em ação) e de criação (emoções-ideias-articulação com a vida psicológica da peça), de percepção e de racionalidade cognitiva corporal cênica. É como percebo. 

No entanto, foi como escrevi em fórum quando tratei do “ator cego” em cena.

Vejam:

“ (...) No entanto à respeito de cognição do ponto de vista, do Mestre, seria usado somente, no decorrer da elaboração, ensaios, testes em situação dramática de personagens etc. Em cena diante da platéia ele não queria um ator com cognição racional, pois tal cognição "mataria toda a verdade do personagem... seria uma briga dual entre ator e persona " diante da público.Hoje, século 21 exige-se de um ator cada vez mais consciente de suas ações em cena para não se deixar levar pela inconsciência (emoção/ estar "cego em cena") de seus atos corporais e vocais estando no personagem; como instrumentalizador e a serviço de sua arte (o chamado não se deixar abater pela emoção do personagem(ter técnica), porque na busca da verdade, em cena podemos cair na inverdade).

Seria bom, pesquisar sobre: 50% técnica ou 50% emoção, ou nada disso, em Método Stanislavski!? (...)” Re: TCHECOV POR STANISLAVSKY e o Corpo... por
Lúcio José de Azevêdo Lucena - quinta, 12 novembro 2009, 09:32 (http://arteduca.unb.br/ava/mod/forum/discuss.php?d=5493)

Por fim, podemos dizer que o corpo de ator em Meyerhold, é tridimensional. Emanador e catalisador de sentidos físicos e orgânicos, como, um: SOL.

Já, em Stanislavski o ator é um eixo convergente, como, uma: CONCHA – pérola rara - centrado em si pela ação de viver e querer ser o personagem. Mas, em ambos, não há ofuscação de sentidos, por tratarem da vida na arte, em limites da teatralidade, de reter corpo e mente em ação referencial dos fenômenos da percepção / propriocepção / interocepção / exterocepção. (In: Fórum Re: DISCUTINDO MEYERHOLD. Por Lúcio José de Azevêdo Lucena - terça, 17 novembro 2009, 09:22).

Os estudos indicativos acima, via fórum (discutindo meyerhod) se revelam do texto de Yedda Chaves: Meyerhold na contemporaneidade: algumas reflexões e estudos de caso), também ao encontro de meus pensamentos pessoais em discussão de outro fórum: discutindo stanislavski, a partir de estímulos em resposta à pergunta da cursista supracitada.

Já indo à leitura do texto: “MEYERHOLD: A MATERIALIDADE DO TEATRO”; deparamo-nos na “queda” dum stanislavskiano teatro fechado em si (sistema ilusionista) e na abertura de um cena meyerholdiana em diálogos cênicos com as artes plásticas(sensações), música (segue a cena), cenário(rompe com o natural), traz a sistematização do ator (consciência de si e de sua performance\corpo preparado) - partindo do seu eixo corporal para o campo da criação em biomecânica e de materialização a partir de sua ação, diante da platéia e juntos: o auto, diretor, ator – formam uma tríade.

Segue Meyerhold, não “muda nada” de outrora, mas ele consubstancia todos os elementos do sistema teatral - a se desprover de grandes cenários, caracterizações nos atores e de suportes em acessórios dos personagens (perucas, objetos de cena etc.); por ouro lado, o espectador vislumbra em cena o real e organicidade acrescida dos fatos\cenas de quadro-vivos. Da platéia de Meyerhold, sabe-se que estamos no teatro (espaço físico) vendo teatro (ritmo, como música em cadeia) que se mostra em cada cena e ato, antes incógnita, pelo artifício do naturalismo em si.

O teatro do natural em Stanislavski-sinaliza-se em “relatos artificiais” pela leitura de, “O TEATRO NATURALISTA E O TEATRO DE ESTADOS DE ALMA. V. MEYERHOLD. Nele, há bons exemplos. É ao mesmo tempo deflagrador quando se diz: cópia de um estilo histórico e aponta: ser longe da plasticidade cênica e de movimento contemporâneo de hoje. De metamorfose de atores quando são distantes de seus estados de alma e de corpos não-dilatantes, por estarem em sentidos de execução de ações “fora de si"; como num novelo a se desprender de seu último fio condutor. E, da platéia tal naturalismo é impossível fazer uso da imaginação, por que estar tudo ali.

Por fim, de análise de estudo e de conclusão, trago o texto mais completo e que resume em síntese, todo o aparato cênico e proposição do Mestre Meyerhold, para a cena contemporânea; “ENUNCIADOS SOBRE A BIOMECÂNICA. V. MEYEHOLD.”


(imagem (reprodução)- Meyerhold executando exercício do treinamento da Biomecânica)

Tal enunciado em texto aponta um corpo de composição em:
corpo de circunferência em percepção; da seqüência de movimentos, via interprete; do movimento em intenção, equilíbrio e execução; do juízo das faculdades mentais em espaço de si e arquitetura cênica; organização técnica e não dúvida; hesitação de ação tensa não combina; calma e equilíbrio; moderação de mudança de movimento ao outro sem desequilíbrio; controle temperamental; reserva de equilíbrio convincente em poses; consciência de movimentos e de mudanças; gesto resultado duma intenção exibível e de reserva de todo o corporal; excitação proveniente de trabalho e treino corporal do intérprete; ator compositor de si; um corpo saudável; inquietude na platéia; ator não-solista; meia- mola em cada movimento preciso do executante;efemeridade artística; “retenção” de movimentos em nome da economia; gestos nunca inacabados; fugir do infortuito; cuidado no temperamento inicial do trabalho;não- superficial demanda excitabilidade; meticulosidade na vos e atuação quando não busca-se de novo;primeiro lugar controle corporal em sintonia com sua reserva d composição;por fim, a música em precisão com cenas e movimentos e atenção, tenacidade, acordo são sinônimos de concentração física; além é claro de, corpo de intérprete em função da máquina impulsionada pelo corpo maquinário.

É preciso fazer sentido tudo isso e, cada vez mais, os desdobramentos teatrais na técnica do ator se confrontam em cena, outrora se repetem. Mas não se marca no tempo como foram os dois mestre, tanto que hoje, é preciso atribuir re-significados.

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